A alimentação na rede pública de ensino

Enviada em 10/04/2020

Promulgada em 1948 pela Organização das Nações Unidas (ONU), a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito ao eixo social: saúde, educação, alimentação, segurança e também ao bem estar. No entanto, há uma falha quando se trata da alimentação da rede pública de ensino, como a baixa higiene, alimentos processados ou mal preparados, como também a falta de fiscalização sobre os alimentos que os alunos trazem de suas residências. Nessa conjuntura, torna-se premente analisar dois agravantes: a dificuldade de garantir uma alimentação de qualidade para os alunos e a baixa quantidade de subsídios voltados para essa área.

A priori, é lícito postular que consoante o filósofo Friedrich Hegel o Estado deve proteger seus filhos, porém, é notório uma inversão dos valores contidos em tal máxima. Ademais, além da alimentação não chegar de forma correta para os alunos, sabe-se também que existe um outro impasse, a qual muitos alunos levam merendas gordurosas e industrializadas, substituindo a alimentação oferecida no âmbito escolar e/ou frutas ou comidas saudáveis. Essas práticas alimentares inadequadas têm causado distúrbios como a obesidade, que podem estar presentes na adolescência e na vida adulta, acarretando prejuízos psicológicos, sociais e em sua saúde geral.

Em segunda análise, algumas escolas brasileiras não possuem infraestrutura adequada para o preparo das refeições, falta equipamentos, utensílios de cozinha, como até mesmo alimentos que estejam dentro do prazo de validade. Outrossim, esses fatores influenciam para a qualidade dos alimentos, visto que o prato precisa ser saudável, mas também é necessário atrair a vontade de comer da criança, e não afastá-la pelo aspecto físico da comida. Portanto, a alimentação na instituição pública de ensino é um complexo desafio contemporâneo que necessita ser combatido. As instituições de ensino - responsáveis por promover o conhecimento - devem fiscalizar os alimentos trazidos de casa de seus alunos, e implementar cardápios montados por nutricionistas, garantindo uma alimentação correta e evitando problemas futuros de saúde.

Em paralelo, o Governo brasileiro deve destinar parte de seus recursos financeiros voltados para a área alimentícia escolar, fiscalizando as necessidades de reparo e substituição de equipamentos como também utensílios de cozinha, objetivando a mitigação de uma infraestrutura ruim para o preparo das merendas escolares. Desse modo, atenuar-se-á em médio e longo prazo o impacto das dificuldades em garantir uma boa alimentação aos educandos, e somente assim será garantindo o que está estabelecido na Declaração Universal dos Direitos Humanos, como também, o Estado poderá finalmente proteger seus filhos como apregoa Hegel.