A alimentação na rede pública de ensino
Enviada em 30/06/2020
No filme espanhol “O poço”, prisioneiros são mantidos em uma torre vertical, podendo se alimentar apenas dos restos da comida do nível acima. Bem como o apresentado na trama, para muitos jovens da rede pública de ensino, a acessibilidade a alimentação escolar é um desafio, tanto pela sua ausência como pela dieta irregular. Portanto, é notório que essa problemática se vê, de fato, atrelada aos frequentes roubos na distribuição de verbas e a inconsciência alimentar na estruturação da dieta dos estudantes.
Em virtude da corrupção envolvida no repasse de verbas, é abstraído de inúmeras crianças o acesso a alimentação em suas escolas. Conforme a investigação da Polícia Federal, foi descoberto que alunos de 30 municípios de São Paulo receberam merenda escolar de qualidade inferior, devido ao cartel que atuava a pelo menos 20 anos no desvio de dinheiro público. Tal fato, revela a inobservância dos direitos da criança, no qual consolidou-se o direito de viver livre da fome e desnutrição, atrelado ao descaso por parte das autoridades competentes em impor medidas rigorosas a corrupção das verbas destinadas a alimentação escolar, consoante ao falado por Jô Soares, que a corrupção não é uma invenção brasileira, mas a impunidade é uma coisa muito nossa. Dessa forma, faz-se evidente a necessidade de leis mais severas relacionadas a corrupção alimentícia.
Ademais, é de consenso público que se alimentar de forma saudável é a chave para o desenvolvimento do indivíduo. Em contrapartida a realidade de fome e desnutrição de muitos jovens, encontra-se o resultado da ausência de uma dieta balanceada, o sobrepeso infantil. De acordo coma pesquisa nacional de saúde escolar- PENSE 2015, a quantidade de alunos do 9 ano que comem guloseimas é de 41,6%. Por certo, segundo a reportagem ‘‘Alimentação escolar é parte do processo de aprendizagem", a escola ocupa o papel de agente fundamental para a educação alimentar. Entretanto, muitas instituições não possuem uma refeição baseada nas recomendações nutricionais, por conta da falta de direcionamento do protagonismo escolar ou pela negligência no repasse de verbas.
Desse modo, constata-se que a defasagem presente na alimentação na rede pública se dá primeiramente por meio da falta de uma medida severa a corrupção das verbas. Assim sendo, faz-se necessário por meio da aprovação de projeto de lei na Câmara dos Deputados, tornar crime hediondo o desvio de verbas destinadas a merenda escolar, com o intuito de encerrar o ciclo de impunidade apontado por Jô Soares. De conformidade com o projeto de lei, é imperativo que as escolas assumam seu papel na linha de frente na conscientização alimentar infantil. Uma vez que, cabe a ela a introdução de uma dieta balanceada, a mesma pode ser feita com o auxílio de gincanas, visando o contato primário com alimentos saudáveis. Tais medidas são imprescindíveis para que a ‘‘hora do lanche’’ não seja mais um desafio.