A alimentação na rede pública de ensino

Enviada em 18/06/2020

O documentário “Muito Além do Peso” aborda não só a qualidade da alimentação infantil, como também o desconhecimento de crianças e adolescentes sobre a importância de frutas e legumes. Tendo em vista tal panorama, observa-se que esse curta-metragem pode ser associado à refeição errônea de jovens no ambiente, escolar e familiar, onde são oferecidos, frequentemente, alimentos calóricos e sem a quantidade de nutrientes essenciais. Nesse contexto, não há como negar a importância da alimentação adequada em tais ambientes. Entretanto, identifica-se desafios em torno da alimentação na rede pública de ensino, em razão de fatores econômicos.

Em primeiro lugar, observa-se a necessidade de se ter criado o Programa Nacional de Alimentação Escolar-PNAE, o qual tem por objetivo executar ações de educação alimentar nas salas de aula e de oferecer refeições adequadas. Dentro dessa lógica, percebe-se que a alimentação saudável fornece nutrientes necessários - carboidratos, vitaminas e sais minerais - para o bom funcionamento cerebral, o qual permite o aumento da concentração e da memória. No entanto, vale ressaltar que a merenda escolar na rede pública não atinge a quantidade de compostos orgânicos e inorgânicos necessários para os alunos, em razão da ausência de investimento do Poder Público na contratação de profissionais, como nutricionista. Assim, à ausência de cardápios saudáveis corrobora a falta da segurança alimentar - qualidade e quantidade ideal de alimentos.

Soma-se a isso a corrupção pública em relação ao desvio de verba em recursos que deveriam ser aplicados para as refeições nas escolas públicas. A exemplo disso, pode-se apontar o episódio da “Máfia da Merenda”, conforme o jornal O Globo esse caso ocorreu em 30 municípios brasileiros, onde mais de um bilhão e meio de reais foram desviados da merenda escolar. Nesse cenário, vale destacar que, muitas vezes, crianças e adolescentes em situação de pobreza, dependem da alimentação fornecida na rede pública. Logo, a inépcia estatal acerca do desvio de dinheiro embasa a questão da fome no cenário brasileiro.

Urge, portanto, que o Governo Federal, em ação conjunta com o Ministério da Educação, mediante o repasse de verba, implemente nos órgãos fiscalizadores - Conselho de Alimentação Escolar. Isso deve ocorrer com intuito de regular e de adequar os recursos disponibilizados para a alimentação na rede pública. Em adição, é fundamental que o Estado, por meio de reajustes fiscais, implemente em hortas e fruticulturas nas escolas públicas. Isso deve ocorrer a fim de promover conhecimento acerca dos alimentos e de disponibilizar frutas e legumes para os estudantes.