A alimentação na rede pública de ensino

Enviada em 16/07/2020

A música “Comida”, da banda Titãs, expressa no trecho “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte” a importância da alimentação para a realização de atividades intelectuais responsáveis pela produção cultural de um corpo social. Logo, assegurar a alimentação adequada e de qualidade, principalmente nas instituições públicas, agentes na construção da base educacional dos cidadãos, é imprescindível para a sociedade. No entanto, dois são os empecilhos: falta de instrução para os profissionais da educação e negligência estatal.

Em primeiro lugar, verifica-se que a fome e a desnutrição assolam o Brasil. Segundo dados da Organização das Nações Unidas, o país está retornando para o mapa da fome. Assim sendo, o Programa Nacional de Alimentação Escolar foi criado, em 1955, mas não obteve sua devida eficácia pois, o orçamento repassado pela União ao programa é baixo. Dessa forma, a melhoria da infraestrutura interna das instituições é impedida, dificultando o armazenamento e a preparação adequada dos alimentos e refeições para os estudantes. Além disso, falta a instrução oportuna e educação nutricional para os educadores e a presença de profissionais especializados na área. Nesse sentido, esse quadro precisa ser revertido.

Em segundo lugar, constata-se que a displicência do Estado afeta diretamente a vida dos estudantes da rede pública do Brasil. De acordo com a linha de pensamento de Bertold Brecht “para quem tem uma boa posição social, falar de comida é coisa baixa. É compreensível: eles já comeram”, ou seja, a insegurança nutricional é uma realidade no país vivenciada por crianças que têm como única refeição diária aquela realizada na escola. Em síntese, a concentração de renda em determinado grupo provoca o crescimento das disparidades econômicas entre as classes sociais e incita que situações como essa se tornem cada vez mais frequentes na comunidade. Nessa perspectiva, essa situação precisa ser alterada.

Portanto, urge que o abastecimento apropriado das instituições públicas de ensino seja garantido na prática efetiva. Cabe ao Governo Federal essa função, por intermédio da destinação de maiores investimentos às escolas públicas e aos programas de alimentação escolar, permitindo sua ampliação; com auxílio da Ministério da Educação para a aplicação adequada desses recursos na contratação de nutricionistas, instrução dos profissionais da educação e melhoria da infraestrutura das escolas. Essas medidas, caso feitas em conjunto, podem amenizar os efeitos da fome e da desnutrição no Brasil.