A alimentação na rede pública de ensino
Enviada em 16/07/2020
O ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente – diz que as crianças e os adolescentes devem ter acesso a um programa de alimentação, junto com programas de material didático-escolar, transporte e assistência à saúde. Entretanto, a negligência estatal e a insegurança alimentar impedem a garantia de uma boa alimentação, e, portanto, sem absorção de nutrientes, há uma interferência direta no rendimento escolar do aluno. Dessa forma, cabe ao estado estabelecer medidas interventivas.
Em primeiro lugar, muitas pessoas passam por escassez de alimentos. É realidade de muitas crianças e adolescentes estarem na escola apenas para receber uma alimentação, como é o caso dos filhos de Alessandra, entrevistada pela BBC News Brasil. Na entrevista a mãe ainda diz que muitas vezes pede ajuda para conhecidos, para ter comida em casa. Nessa realidade, essas pessoas passam pelo que chamamos de “insegurança alimentar”, ou seja, a incerteza de uma alimentação futura. Sendo assim, percebe-se a importância da disponibilidade de refeições nas escolas, e, portanto, essa prática deve ser assegurada.
Em segundo lugar, de acordo com os ideais de George Santayana, “aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo”. Em outras palavras, a falta de conhecimento histórico faz com que a sociedade atual cometa erros outrora já vivenciados. Essa problemática assume contornos específicos no Brasil, o qual vivencia um cenário de fome a um longo período, e ainda assim passa por negligência estatal. Ela, está presente no desvio de verbas por governantes corruptos, gerando baixo orçamento na alimentação das escolas, falta de equipamentos como geladeiras, fogões e freezers, além de não ter um acompanhamento de um nutricionista na formação do cardápio. Nesse sentido, uma possível causa para o descaso do governo, é a falta de conhecimento do passado, sendo necessário medidas de intervenção.
Urge que uma alimentação de qualidade seja assegurada de maneira efetiva na rede pública de ensino. Cabe ao governo essa função, aumentando os investimentos nessa área nas escolas, na estrutura das cozinhas, com equipamentos necessários para armazenar e cozinhar alimentos devidamente, e garantindo cardápios monitorados por nutricionistas, além de refeições nos dias não letivos. Essas ações podem ser feitas com o auxílio de contribuições comunitárias na arrecadação de comida para as famílias que passam por necessidade. Essas medidas, caso feitas em conjunto, podem amenizar a fome no Brasil.