A alimentação na rede pública de ensino
Enviada em 11/08/2020
No poema “O Bicho” o escritor Manoel Bandeira discorre sobre a animalização do homem ao denunciar a situação caótica dos indivíduos, os quais buscam no lixo sua alimentação. Apesar das palavras do autor apresentarem caráter fictício, na sociedade brasileira muitas crianças passam fome, e possuem como única refeição diária à ofertada pela escola. Nesse viés, o problema se perpetua pela ineficácia da lei e pela desigualdade social.
Primeiramente, é indubitável que normas constitucionais não são efetivadas plenamente. De acordo com a Carta Magna de 1988 é garantido a todo cidadão o direito à alimentação. Contudo, há crianças que se alimentam uma única vez ao dia, sendo a escola a instituição provedora desta alimentação precária. Assim, se o governo continuar se omitindo sobre esse cenário, milhares de crianças continuaram a passar fome no país, o que perpetua a condição desumana de vida desses indivíduos.
Ademais, as desigualdades sociais contribuem para permanência da fome. De acordo com o autor Milton Santos, na obra “O Espaço do Cidadão”, aponta á pobreza como a principal causa das desigualdades sociais. Nesse sentido, pela falta de recursos financeiros famílias deixam de alimentar seus filhos. Assim, a deficiência de uma alimentação balanceada prejudica o desenvolvimento e formação física das crianças, que possuem à escola como sua única fonte provedora de alimentos.
Portanto, urge que medidas sejam tomadas para resolver o problema. O governo federal, por meio de políticas públicas, deve criar programas de suplementação alimentar à crianças de baixa renda, a qual deverá suprir o mínimo das necessidades diárias de alimentação da criança, observando que a escola fornece apenas o equivalente a 15% da suplementação alimentar diária, a fim de promover o desenvolvimento saudável das crianças brasileiras. Destarte, a escola não será a única a oferecer alimentação às crianças e a plenitude constitucional do direito à alimentação será atingido.