A alimentação na rede pública de ensino
Enviada em 11/08/2020
Segundo pesquisa realizada pelo IBGE, em 2018, o aluno brasileiro tem a média de 9,3 anos de estudos sendo que desses, passa cerca de 4,5 horas diárias no espaço de ensino. Contando com aproximadamente 80% dos alunos, as escolas públicas tem significativo papel na preparação do cidadão, além de fornecer seus principais direitos como ensino e alimentação. Com base nisso, é de suma importância que a dieta nutricional oferecida por aquelas tenha valor substancial, dado que, para milhões de crianças e adolescentes essa é a única refeição no dia.
É relevante abordar, primeiramente, a existência do PNAE, Programa Nacional de Alimentação Escolar originada no governo de Getúlio Vargas, mas que só teve pleno exercício a partir de 1983. Com esse plano governamental, milhões de estudantes passaram a receber merenda administrada por nutricionistas gerando, assim, novos hábitos de alimentação saudável. Contudo, ainda que seja de referencia mundial, esse projeto abrange menos de 15% dos 45 milhões matriculados, ou seja, não chega àqueles que vão a escola apenas para ter o que se alimentar. Ademais, tais colegiais são atingidos indiretamente pelas chamadas “máfias da merenda”, que são esquemas de desvios de dinheiro por meio do superfaturamento de alimentos destinados às escolas causando prejuízos de mais de 8,21 milhões aos cofres públicos que poderiam beneficiar milhares de vida.
Paralelo a isso, vale ressaltar também a ínfima parcela de escolas públicas de ensino integral que de modo objetivo resolveriam, em parte, a questão da nutrição precária devido à má alimentação. De acordo com a meta 6 do Plano Nacional de Educação (PNE), é esperado que até 2024, 50% das escolas públicas ofereçam ensino em tempo integral, entretanto, em meados de 2020, encontra-se estacionado em 22%.
Diante disso, perceber-se que o debate acerca da alimentação na rede pública de ensino é imprescindível para a construção de indivíduos pensantes, visto que é difícil se concentrar nos estudos com a barriga roncando de fome. É fato dizer que passar mais tempo na escola não signifique educação integral, portanto, é necessário repensar o modelo atual, por meio da união do MEC e da Inep, responsável pela PNE, de modo que seja pontuado a problemática da nutrição precária, para que assim estruturalizem arquétipos conscientes da situação do aluno, oferecendo não apenas o suporte dentro dos portões como café da manhã, almoço e lanche como também o apoio externo por meio do envio de comida congelada para a janta. Assim, o retorno escolar aumentará contribuindo para a formação do cidadão e indivíduo na sociedade.