A alimentação na rede pública de ensino
Enviada em 27/08/2020
O poema “No meio do caminho”, do escritor modernista Carlos Drummond de Andrade, revela, de forma metafórica, a existência de obstáculos no percurso da vida humana. De maneira análoga, os desafios da alimentação na rede pública de ensino tornaram-se pedras no meio do caminho da sociedade moderna, haja vista que eles impedem a efetivação do pleno bem-estar social. Nesse sentido, é imperioso analisar como a nutrição precária e o desvio de verbas contribuem para que exista esse problema na agremiação brasileira.
Em primeiro plano, é indubitável que a nutrição precária esteja entre as causas do transtorno, tendo em vista que as crianças que vivem às margens da pobreza não possuem alimentos ricos em nutrientes ou, até mesmo, passam fome pela falta deles. Diante disso os riscos a saúde aumentam, pois elas podem desenvolver doenças cardíacas, diabetes e obesidade. Desse modo, a merenda escolar é de grande importância para as famílias carentes, visto que ela é a garantia de que seus filhos terão algo para comer, além de uma dieta balanceada. Nesse panorama, segundo uma pesquisa feita pela Segurança alimentar e nutricional da América Latina e Caribe das Organizações das Nações Unidas (ONU), afirma que a desnutrição alcançou até cerca de 5 milhões de brasileiros entre 2015 e 2017.
Em segundo lugar, destaca-se o desvio das verbas como impulsionador dos impasses da alimentação escolar. Isso porque algumas empresas que são responsáveis pelo fornecimento da merenda escolar direcionam o dinheiro para uso próprio. Infelizmente, tal situação faz com que milhares de alunos sejam prejudicados, uma vez que a ausência de merenda afeta o desempenho dos estudantes, já que os alimentos interferem diretamente no aprendizado. Nessa lógica, de acordo com o site Agência Brasil, foi descoberto o desvio de bilhões de reais no estado de São Paulo do próprio Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que visa garantir merenda escolar de qualidade. Dessa forma, várias escolas ficaram sem receber alimentos.
Logo, é notório que a nutrição precária e o desvio de verbas são apenas dois dos problemas apresentados pela alimentação na rede pública de ensino. Portanto, é imprescindível que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, crie um programa de fiscalização para melhor atender a população, com a participação de mestres e doutores da área, por meio da oferta de acompanhamento nutricional nas escolas para a obtenção de uma dieta equilibrada. Ademais, faz-se necessário a aplicação de multas para as empresas que desviarem a verba e prejudicarem milhares de crianças, a fim de impedir que os alunos passem por esse incômodo e, assim, erradicar as pedras do meio do caminho como no poema “No meio do caminho” de Drummond.