A alimentação na rede pública de ensino

Enviada em 12/10/2020

Segundo o escritor Gilberto Dimenstein, a cidadania é uma garantia por lei dos seres humanos nascerem livres e iguais em dignidade e direitos. Entretanto, a sua obra, “Cidadão de papel”, retrata um indivíduo que possui direitos básicos apenas na legislação, uma vez que o personagem não usufrui das liberdades positivas. Sob tal perspectiva, a uniformização da sociedade em cidadãos de papel, assemelha-se ao protagonista da composição nacional, visto que grande parte da população brasileira não apresenta o direito de viver livre da fome e desnutrição. Nesse sentido, essa parcela depende da alimentação das redes públicas de ensino, e, por sua vez, apresenta problemáticas, como a nutrição precária e o desvio de verbas, que está associado à corrupção.

Primeiramente, é relevante destacar que, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população. Contudo, o desvio de verbas das merendas e redes alimentares de escolas públicas, prejudica a sociedade brasileira a conseguir essa dignidade. Tal ação está associado, intrinsecamente, com a corrupção envolvendo à baixa atuação das autoridades, no que tange a geração dos meios que asseguram o acesso ao alimento em instituições de ensino gratuito. Nessa perspectiva, por mais que tenha fiscalização sobre os desvios de verbas, é financeiramente inviável para os políticos não apoiarem essas atividades ilegais. Logo, segundo o filósofo Maquiavel, “mesmo as leis bem ordenadas são impotentes diante dos costumes”. Nesse sentido, a máxima retrata a divergência entre a constituição e a falta de ética do Estado e dos políticos vigentes.

Por outro lado, e necessário abordar que o mau acompanhamento nutricional dos estudantes também é um fator que favorece para a problemática. Desse modo, a alta taxa de alimentos processados e industrializados prejudica na saúde dos estudantes. De modo que, segundo o portal R7, a falta de merenda e a má qualidade dela, reduz o desempenho dos estudantes. Por conseguinte, essas condições aumentam a desigualdade social no Brasil, uma vez que os indivíduos mais carentes não possuem esse direito constitucional que corrobora para o desenvolvimento educacional e ascensão social. Assim, a sociedade brasileira se torna cidadãos de papel, como proposto por Gilberto Dimenstein.

Portanto, os governos devem administrar uma maior parte do PIB do Estado para o Ministério da Educação, isto pode ser feito por economistas que auxiliem os governos. Dessa maneira, o MEC poderá inserir profissionais na área de nutrição para aconselhar as escolas defasadas dessa necessidade e dar aulas de como ter uma boa alimentação, para que as crianças possam ter uma boa alimentação. Assim, a população brasileira poderá se aproximar dos ideais de Hobbes.