A alimentação na rede pública de ensino

Enviada em 02/09/2020

Já dizia Paulo Freire, patrono da educação brasileira, que o objetivo da Escola é fazer o aluno ler o mundo e transformá-lo. Porém, em um país marcado pela desigualdade social, a realidade da população mais pobre é outra: os direitos elementares à segurança alimentar e à qualidade nutricional se transformam, respectivamente, em fome ou obesidade, tornando tal postulado um ideal irrealizável. Desta forma, coloca-se em pauta a importância da merenda em colégios públicos como forma de suprir o que o Estado falha em prover.

Primordialmente, é crucial discorrer sobre a subnutrição no Brasil, a questão mais grave e, portanto, mais desafiadora e, para tal, é possível recorrer à Quarto de Despejo. Na obra de Carolina M. de Jesus, na qual ela relata seu dia-a-dia vivendo em uma comunidade, observa-se a autora-personagem, uma catadora de papel, se preocupar com a chegada de seus filhos ao final do dia letivo devido à ausência do que comer, referindo-se à fome no decorrer da diário como “amarela”, tamanha sua imponência na vida do indivíduo. De que forma esperar que crianças, vítimas da subnutrição, consigam se concentrar nas aulas e desenvolver seu potencial intelectual? Mais uma vez, reitera-se a importância da merenda escolar, pois, embora não seja o suficiente, diversos são os casos em que os infantes frequentam o colégio apenas para fugir da penúria, constatando-se seu papel no combate à evasão.

Entretanto, de nada adianta fornecer pratos de baixa qualidade nutricional e considerar o problema resolvido: paralelamente, observa-se o crescimento da obesidade ao redor do mundo, em especial, entre populações mais pobres de países subdesenvolvidos devido ao fácil acesso e baixo preço de fast-foods, guloseimas e frituras. Com o aumento da sedentarização da população, que pouco se exercita e passa a maior parte do tempo sentada, corroborando o aumento de peso, torna-se crucial que a escola sirva de exemplo aos jovens ao prover-lhes um cardápio saudável e incentivar o consumo de frutas e saladas a fim de reduzir a carência vitaminar, à qual muitas crianças estão sujeitas e que também pode prejudicar seu desempenho escolar.

À vista disso, ratifica-se o protagonismo da merenda em escolas públicas, as mais prejudicadas pela pobreza, como agente indispensável no combate à fome e à obesidade que em tanto debilitam mentes brilhantes em potencial que poderiam fazer muito pelo futuro. Logo, a fim de mitigar a questão, é indispensável que por meio de uma PPP, o MEC, ministério com tutela sobre os colégios públicos, e restaurantes e supermercados forneçam alimentos que seriam desperdiçado em um cardápio bem balanceado de lanche e almoço. Apenas assim, o idealizado pelo patrono da educação poderá se concretizar e a escola, de fato, será formadora do futuro.