A alimentação na rede pública de ensino
Enviada em 07/09/2020
Direito à alimentação de qualidade é direito à vida.
O Estatuto da Criança e do Adolescente determina como dever da sociedade assegurar o direito à alimentação de qualidade a estes grupos. No entanto, a realidade alimentar na rede pública de educação do país diverge dessa determinação constitucional, uma vez que ainda existem muitas carências nesses locais. Tais problemas estão relacionados à falhas estruturais e sanitárias, além de uma cultura de negligência e desvio de verbas por parte de governantes, comprometendo a nutrição e bem estar dos jovens estudantes da rede pública.
Diante desse raciocínio, um dos fatores relativos a tal problemática é a falta de recursos estruturais em muitas escolas. Nesse contexto, conforme conteúdo do site oficial da Câmara dos Deputados, muitas instituições públicas recebem quantidades suficientes de alimentos, como carnes, porém essas escolas nem sempre possuem refrigeradores para armazená-los devidamente. Com isso, falhas dessa natureza impedem a garantia do acesso à alimentação pelos estudantes, os quais têm sua saúde, rendimento escolar e motivação em frequentar as aulas afetados negativamente.
Ao mesmo tempo, muitos problemas inerentes às instituições públicas de educação têm origem na falta de comprometimento dos governos Estaduais e Municipais que, não raro, desviam verbas para outros setores mais convenientes, ou até mesmo em prol de interesses pessoais. Nesse sentido, de acordo com o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o brasileiro tende a não distinguir o interesse público do particular, alimentando, assim, uma cultura de transgressão às leis. Com isso, ao negligenciar necessidades de escolas públicas, como o suprimento nutricional, os governantes reforçam essa teoria sociológica, impactando a vida dos jovens estudantes.
Diante disso, é primordial combater as causas dos problemas latentes da alimentação na rede pública de ensino. Para tanto, cabe ao Governo Federal criar um programa nacional de reformas e melhorias no setor de alimentação escolar, a fim de minimizar os seus problemas estruturais e financeiros. Nesse aspecto, o programa deve destinar verbas para reequipar as cozinhas dessas escolas com todos os aparatos essenciais, garantindo a qualidade sanitária. Ao mesmo tempo, o programa deve, em parceria com a Polícia Federal, intensificar a fiscalização dos destinos dados às verbas pelos governos Estaduais e Municipais, coibindo possíveis desvios. Dessa forma, é possível reverter esse problema nacional, fornecendo aos estudantes da rede pública o suprimento nutricional que precisam, fazendo jus ao seus direitos, conforme estabelecido pelo ECA.