A alimentação na rede pública de ensino

Enviada em 25/09/2020

No mito do “Canto das Sereias”, pescadores eram atraídos pela voz inebriante das criaturas e, por conta da grande sedução provocada, descuidavam de seus arredores, sofrendo naufrágio. Analogamente, a alimentação na rede pública de ensino passa por complicações, como a precariedade infraestrutural para o preparo das refeições e a falta de acompanhamento nutricional, levando ao naufrágio a saúde alimentar dos alunos. Por isso, torna-se necessário o debate acerca da alimentação na rede pública de ensino.

Primeiramente, é importante destacar que muitas escolas sofrem com a carência estrutural para a elaboração do cardápio. De acordo com pesquisa, divulgada pelo G1, no ano de 2019, 60% dos estudantes de rede pública estão insatisfeitos com a merenda escolar. Nesse sentido, a infraestrutura precária dos colégios compromete a qualidade dos pratos, visto que existem dificuldades para o armazenamento e cuidado com os alimentos, acarretando na desqualificação desses. Desse modo, a falta de recursos prejudica o sustento dos educandos e, consequentemente, o aprendizado.

Em segundo lugar, a falta de acompanhamento profissional na nutrição dos aprendizes afeta diretamente a saúde desses. Segundo pesquisa, divulgada pelo IBGE, no ano de 2018, um terço dos estudantes do ensino fundamental consomem produtos ultraprocessados todos os dias. Nesse segmento, a ausência de educação nutricional, orientada por profissionais, nas escolas, provoca malefícios ao bem estar dos alunos, haja vista que passam a comer de forma desregrada. Dessa forma, o instituto público não oferece uma orientação alimentar adequada aos jovens e crianças.

Infere-se, portanto, que providências devem ser tomadas para amenizar o quadro atual. É mister que o Governo Federal, por meio de verbas governamentais, promova a estruturação das cozinhas e refeitórios escolares, a fim de promover melhores condições para o manejo da comida e elaboração das merendas. Além disso, cabe ao Conselho Federal de nutricionistas (CFN), mediante a introdução de especialistas nos colégios, proporcionar a educação alimentar dos acadêmicos, com intuito de ensinar os alunos a organizarem refeições que atendam as próprias necessidades nutricionais. Somente assim, o náufrago decorrente dos problemas alimentares na rede pública de ensino poderá ser evitado.