A alimentação na rede pública de ensino

Enviada em 16/09/2020

“Não existe revelação mais nítida da alma de uma sociedade do que a forma como esta trata as suas crianças”. No Brasil, uma das formas de cuidado com os mais novos, traçando um paralelo com a máxima de Nelson Mandela, se dá através do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que possibilita, aos estudantes do ensino público, o acesso à merenda escolar. No entanto, há falhas nesse sistema que impedem, tanto um fornecimento eficiente dos alimentos, quanto a garantia da qualidade desses. Assim, mostra-se necessário ampliar a discussão acerca da concessão desse direito, que é essencial como medida de promoção saúde às crianças e suporte financeiro às famílias mais pobres.

Deve-se destacar, primeiramente, como os casos de corrupção nesse meio afetam a distribuição dos produtos alimentícios às escolas. Nesse sentido, vale pontuar, como exemplo, o caso da “Operação Cadeia Alimentar”, a qual investigou um frigorífico e vinte e sete prefeituras do estado de São Paulo que fraudavam licitações e desviavam verbas do fornecimento de merenda escolar. Diante de casos como esse, nota-se que muitas instituições de ensino não são devidamente abastecidas e seus alunos não recebem a refeição que lhes é de direito. Desse modo, alguns têm de se alimentar em casa, aumentando as despesas da família, e outros, mais desfavorecidos, acabam não tendo o que comer, desencadeando uma nutrição precária que pode contribuir para o aumento da fome no Brasil.

Além disso, é importante discutir sobre quais alimentos são oferecidos aos jovens do ensino público. A esse respeito, embora o PNAE preveja uma alimentação apropriada e acompanhamento de nutricionistas nas escolas, muitas ainda não aderiram a essas regras. Sendo assim, comumente tem-se disponíveis alimentos processados, açúcares, gorduras e industrializados, que podem ser prejudiciais ao organismo humano. Por conseguinte, infelizmente, como mostrado no documentário, “Muito além do peso”, cerca de um terço das crianças brasileiras estão acima do peso, e muitas escolas, que deveriam ser um lugar onde são fornecidas e incentivadas refeições equilibradas, acabam fomentando esse problema.

Logo, medidas são necessárias para que a alimentação na rede pública de ensino seja mais benéfica aos estudantes e cumpra seu papel social. Para tanto, o Governo Federal deve direcionar maiores investimentos a esse setor, aprimorando o programa atual por meio do aumento na fiscalização e punição dos envolvidos nos casos de corrupção na distribuição de merenda, além de garantir a presença de profissionais como médicos e nutricionistas em todas as escolas, especificando a melhor dieta a ser adotada nesse ambiente. Com isso, as crianças poderão crescer mais saudáveis, as famílias receberão maior apoio do Estado e será possível a formação de uma sociedade melhor.