A alimentação na rede pública de ensino
Enviada em 06/10/2020
O documentário “Super Size Me” retrata os problemas que o protagonista enfrenta ao substituir uma dieta vegetariana por fast-food, de forma que evidencia os malefícios oriundos da comida industrializada. Entretanto, os efeitos negativos de tal alimentação não está presente somente no universo ficcional, já que as escolas brasileiras enfrentam dificuldades em consolidar sua função social de estimular hábitos saudáveis e preventivos. Logo, é preciso haver mudanças em prol de consolidar os direitos previstos pela Constituição Federal através de uma mudança pedagógica e cultural. Isto posto, a medicina do antigo grego Hipocrátes é a principal defensora da relação entre o modo de vida da população e o surgimento de enfermidades, em contrapartida das políticas públicas do Brasil. Desse modo, apesar dos avanços do Sistema Único de Saúde, esse setor apresenta, ainda, atrasos em seu desenvolvimento, negligenciando, por exemplo, a medicina preventiva e a educação em saúde. Nesse cenário,o Plano Nacional de Alimentação Escolar prevê a inclusão da educação nutricional perpassando o currículo escolar em prol da prevenção de doenças crônicas e da consolidação da democracia. Todavia, a gestão escolar não valoriza o papel social das instituições em promover tais programas de prevenção à saúde e prioriza o ensino conteudista que negligencia a formação cidadã do educando. Ademais, parafraseando Raymundo Faoro, a perpetuação dos poderes e a apropriação privada do Estado, características do patrimonialismo, impedem a concretização dos direitos previstos pela maior instância legislativa. Nesse aspecto, o Estado é utilizado para favorecer os indivíduos que controlam o corpo estatal, a partir de privilégios, de forma que o poder público negligencia o real papel dessa instituição, prejudicando, sobretudo, a democracia nacional. Desse modo, a corrupção na política impede o destino eficaz das verbas, de forma que os investimentos em educação permanecem, por décadas, sucateados e marcados por desvios de dinheiro. Em suma, as instituições são marcadas por adversidades pedagógicas e culturais que interferem na consolidação de uma escola cidadã – como previsto no PNAE. Depreende-se, portanto, a relevância de consolidar os direitos previstos na legislação brasileira e de erradicar o patrimonialismo. Por isso, recorrendo às análises dos valores repassados aos municípios presentes em sites públicos, é necessária a mobilização do Terceiro Setor que atua nesse contexto, em prol de averiguar a destinação eficaz de verbas para o setor educacional. Paralelamente, exigir que a gestão escolar implante metas desafiadoras previstas por lei, como organizar palestras educacionais e feiras de gastronomia que incentivem o consumo de alimentos saudáveis. Tal processo pode ser consolidado através da pressão popular, por meio das redes sociais e das análises nos planos governamentais dos prefeitos, em prol de fortificar a democracia brasileira.principalmente, nas escolas, as quais são o berço da cidadania.