A alimentação na rede pública de ensino
Enviada em 13/12/2020
Na série “Cidade dos Homens” o personagem Laranjinha admite que continua a frequentar as aulas por causa do lanche oferecido. De fato, apesar da forma humorística que ele conta seus motivos, essa a atitude reflete a dura realidade de várias crianças e não se limita a cenários fictícios. Nesse sentido, debater acerca da alimentação na rede pública de ensino é pertinente ao contexto brasileiro. Sobre essa perspectiva, é apropriado alegar que as escolas do país não possuem estrutura adequada para oferecer comida aos estudantes e é de responsabilidade do Estado reparar essa conjuntura.
Deve-se pontuar, antes de tudo, que apenas 0,6% das escolas públicas brasileiras apresentam infraestrutura ideal, de acordo com estudo da Universidade de Brasília. Nessa lógica, é válido afirmar que os colégios do país possuem dificuldade em garantir o básico aos alunos, por isso, certamente também são desprepados em conceder alimentação de qualidade à eles. Segundo o médico Drauzio Varella, a falta da comida causa um estado de alerta no corpo humano, de modo que a concentração é muitas vezes a primeira afetada, pois o sistema da pessoa se volta para apenas resolver o impasse de imediato. Logo, presume-se que a falta de alimentação nas escolas não é somente um problema pontual no Brasil e acarreta na queda do desempenho estudantil.
Ademais, mesmo na situação crítica que as escolas brasileiras se encontram, o Estado deve findar essa situação. Dentre esses efeitos, em 2015 o Brasil se comprometeu em realizar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU), nos quais uma das metas é promover educação de qualidade universal. Por certo, o Brasil apresenta despreparo em cumprir acordos internacionais, uma vez que apresenta mais de 90% das escolas públicas sem infraestrutura básica, estudantes não têm alimentação ideal nas escolas, por isso perdem a concentração e a universalidade escolar não se concretiza. Desse modo, percebe-se certa urgência na adoção de medidas que trabalhem esse problema e seus efeitos.
Torna-se evidente, portanto, que casos como o da escola de Laranjinha precisam ser mais comuns na sociedade brasileira. Assim, é necessário que o Ministério da Educação, com ações das prefeituras, crie um projeto de melhorias escolares, com foco no fornecimento de alimentação ideal, por meio de parceria com produtores locais, a fim de incluir nos colégios públicos refeições saudáveis que sirvam como uma das motivações para os estudantes frequentarem as aulas. Além disso, esse projeto deve contribuir para outras alterações no sistema público de ensino, como na melhoria das infraestruturas estudantis, por intermédio de reformas nos períodos de férias. Enfim, a partir dessas ações, o Estado passará a oferecer um ensino de qualidade conforme acordado com a ONU.