A alimentação na rede pública de ensino

Enviada em 05/11/2020

Segundo o artigo 6 da Constituição Federal, é direito universal de todo brasileiro o acesso ao subsídio básico por meio de saúde, moradia e alimentação. No entanto, a precarização da refeição escolar que é  a base, invariavelmente, para muitas crianças no País é uma realidade que assola camadas mais vulneráveis. Nessa perspectiva, é indubitável a necessidade de se rever as problemáticas acerca da alimentação escolar, dentre essas destacam-se: a dependência por questões financeiras e a influência que exerce sobre o corpo social.

Em primeira análise, a alimentação escolar é, majoritariamente para grupos marginalizados, a oportunidade de obter alimentos com valor nutricional adequado. De acordo com o PNAE(Programa nacional de alimentação escolar), sua funcionalidade nas escolas públicas brasileiras tem direcionado para o aprimoramento biopsicossocial, aprendizagem e o desempenho escolar por intermédio da alimentação. Por conseguinte, a presença de programas de cunho alimentício nas escolas contribui para uma, gradual, distribuição acerca da comida e, simultaneamente, ajuda algumas famílias a obter uma dieta balanceada. Além disso, segundo a ONU, a problemática acerca da fome existente no mundo é reflexo de partilha errônea, o que demonstra a importância do papel escolar na luta contra a desigualdade.

Ademais, alimentação escolar é, sem dúvidas, fundamental no que tange à disseminação de bons hábitos de consumo e higiene. Segundo o sociólogo Max Weber, o indivíduo é apenas fruto de uma vontade do corpo social, tendo seus feitos, atitudes e a personalidade atrelada ao ambiente em que cresce e convive. Desse modo, a ampliação do papel escolar que prioriza além de uma educação formal, mas também, hábitos adequados ao consumir a comida, tende a priorizar o desenvolvimento pessoal do indivíduo que, ao longo de sua vida tende a reproduzir o que aprendeu em seus anos iniciais de vida. Em suma, a proliferação de uma sociedade cheia de doenças de cunho metabólicas, pode ser evitado através de um ensino voltado ao conteúdo nutricional.

Portanto, é mister a necessidade de se expandir a distribuição alimentícia no ambiente escolar. Logo, é dever do Poder Legislativo, ampliar a alimentação escolar, instruções nutricionais e de higiene, por meio de um projeto de lei, que estabeleça a obrigatoriedade na grade estudantil de uma disciplina voltada à nutrição, além de investimento maior na qualidade e quantidade de refeições diárias oferecidas ao longo do período escolar. Assim, será possível, a longo prazo, diminuir a desigualdade nutricional existente no corpo social e, ao mesmo tempo, diminuir os índices de morbidades metabólicas.