A alimentação na rede pública de ensino
Enviada em 28/12/2020
Em 1954 foi implantado o Programa Nacional de Alimentação escolar no Brasil com a finalidade de mitigar a desnutrição. No entanto, o país ainda enfrenta a negligência do poder público em democratizar uma alimentação saudável, o que decorre em altos níveis de desnutrição. Diante do exposto, a tratativa dessa pauta se torna necessária e urgente.
Nessa perspectiva, é necessário afirmar que o descaso governamental é gerador dos altos níveis de desnutrição infantil. Os casos de desvio de verba no setor educacional são habituais, tendo como consequência o fornecimento de alimentos ultraprocessados, vencidos e estragados para crianças e pré-adolescentes. Em 2018, a Polícia Federal declarou que 30 municípios paulistas receberam merenda de qualidade inferior de uma empresa que atuava há 20 anos no desvio de dinheiro público. Portanto, a indecência governamental corrobora para que o mapa da fome seja cravado na história brasileira.
Ademais, a despreocupação em instruir sobre a educação alimentar amplia os níveis de desnutrição concomitante aos níveis de obesidade. Para a Organização Mundial da Saúde, a saúde é o estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não somente ausência de doença. Nesse sentido, a população pueril de camadas sociais vulneráveis padece com a fome, enquanto a de outras camadas arcam com a obesidade, isso deve-se ao fato de tratarem a carga nutricional de um alimento natural a mesma de um alimento industrializado, substituindo muitas vezes refeições matinais por refrigerante e doces. Conclui-se que, o desmazelo do poder público aliado a uma deficiente fiscalização e deseducação alimentar gera uma sociedade desnutrida.
Diante do contexto, é evidente que há necessidade de maior comprometimento do poder público. Dessa forma cabe ao Congresso Nacional, executor de leis, uma fiscalização mais intensa e acíduoa, por meio de auditorias anuais nas escolas, a fim de garantir a entrega de um alimento saudável. Ademais, cabe ao Ministério da Educação junto à Secretarias Municipais de Saúde, a promoção de palestras, campanhas e cartilhas que disseminem os malefícios de uma alimentação industrializada e a importância de uma alimentação saudável, a fim de informar e mitigar doenças ocasionadas por má alimentação. Nesse caminhar, o Programa Nacional de Alimentação será plenamente consumado.