A alimentação na rede pública de ensino

Enviada em 02/12/2020

A obra literária “Capitães de Areia,” de Jorge Amado, retrata a vida de crianças que não tinham  acesso à escola e cometiam delitos para conseguirem comida. Fora da ficção, o ingresso à educação pública e a disponibilidade de alimentos de qualidade nessa rede de ensino é de extrema importância, já que o consumo de nutrientes afeta o rendimento escolar dos alunos. Contudo, esse direito estabelecido pela Carta Magna enfrenta percalços, essencialmente em razão dos desvios de verbas para à merenda escolar, principalmente em regiões remotas.

A priori, consoante à Constituição de 1988, todos têm direito à alimentação. Todavia, tal prerrogativa legal não tem se reverberado com ênfase na prática, dado que conforme à ONU, a desnutrição alcançou 5 milhões de brasileiros. Assim, é imperioso oferecer alimentação de qualidade nas escolas públicas brasileiras, pois a absorção de nutrientes afeta diretamente o processo de aprendizagem do educando. Também, tal merenda é para muitos alunos a única refeição diária, corroborando a necessidade do Estado oferecer comidas saudáveis, como frutas, legumes e grãos e que evite os industrializadas. Dessa maneira, os estudantes estarão preparados para absorver novos conhecimentos com maior facilidade, e não terão o ensino defasado devido à falta de nutrição.

Ademais, é notório que o desvio de verbas direcionados ao Programa Nacional de Alimentação  Escolar(PNAE) é um grande empecilho para a distribuição de alimentos, sobretudo em regiões mais longínquas, como Norte e Nordeste. Além disso, tal problemática afeta a qualidade dos cardápios escolares , de modo que este programa fornece refeições de acordo com a faixa etária dos estudantes e acompanhamento de nutricionistas, que estimulam e auxiliam na educação alimentar. Desse modo, tais problemas cria um terreno fértil para a má distribuição de alimentos e para uma alimentação de baixa qualidade.

Portanto, com o intuito de estabelecer boas refeições nas escolas públicas brasileiras, urge que o PNAE promova a garantia de uma boa merenda escolar, por meio de auxílio nutricional e que este desenvolva estratégias para a introdução de hábitos alimentares benéficos ao corpo e que ajudam nos estudos, tornando evidente o que uma má nutrição causa ao corpo a longo prazo. Também, é preciso que a Polícia Federal Adjunto ao MEC possibilite a efetivação de denúncia contra os desvios de verbas direcionadas para merenda escolar, mediante campanhas publicitárias nos meios de comunicação, que demostre como deve ser feita, aumentando a recorrência de tais campanhas em jornais dos estados do Norte e Nordeste. Assim, a realidade das crianças brasileiras será diferente daquela vivenciada pelos menores do livro Capitães de Areia.