A alimentação na rede pública de ensino
Enviada em 07/01/2021
O poeta Carlos Drummond de Andrade metaforizou em seu poema “No meio do caminho”, a ideia de que, durante a vida, os indivíduos encontrarão empecilhos a serem superados. Sob tal ângulo, percebe-se que a alimentação de crianças na rede pública de ensino brasileiro configura-se em um obstáculo, visto que, muitas escolas ainda não oferecem alimentos para os alunos devido a falta de verba e até corrupção. Nesse sentido, cabe avaliar que esse cenário nefasto ocorre em virtude da insuficiência legislativa e da falta de visibilidade do assunto.
Em primeiro lugar, convém mencionar a ineficácia estatal referente ao tema. Em relação a isso, o termo “ausente contumaz”, elaborado por Washington Luís, norteia a negligência dos órgãos públicos, em grande parte, com assuntos de aspectos sociais, como é o caso da merenda distribuída de forma ineficiente nas escolas públicas e também a falta de interesse do governo em resolver o problema. A título de exemplificação, nota-se que a falta de fiscalização e de profissionais da saúde nas escolas faz com que os gestores de cada instituição usem a verba da forma que quiserem e não necessariamente destinando para a alimentação dos alunos. Tal descaso reflete em crianças sem uma alimentação adequada no período escolar, já que, segundo pesquisa divulgada no G1.com, duas em cada sete escolas no estado do Amazonas não distribuiem uma alimentação de qualidade para seus alunos.
Ademais, é válido salientar a falta de visibilidade do tema. Consoante à ideia do linguista Noam Chomsky, os veículos de comunicação possuem a capacidade de silenciar, muitas vezes, determinados assuntos, como a inadequada destinação da verba para alimentação de alunos em algumas escolas do país. Dessa forma, é evidente que a problemática da alimentação rede pública, uma vez que não abordada pela imprensa, torna-se um assunto pouco discutido no corpo social. Desse modo, o não protagonismo da temática em questão, a qual precisa ser abordada com relevância pelos meios de comunicação, a fim de que se minimizem os impactos relacionados a ela, como crianças que passam fome em casa e sua única fonte de alimentação é a escola e então a instituição negligência a distribuição de alimentos de qualidade, isso faz com que sejam prejudicadas a saúde dessas crianças.
Portanto, o problema mostra-se uma “pedra” a ser removida para o progresso do Brasil. Destarte, cabe ao Ministério da Saúde - responsável pelas políticas de saúde pública no país -, junto ao Ministério da Educação, por meio de verbas já destinadas ao assunto, disponibilizar gestores e nutricionistas, para indentificar os problemas da alimetação escolar de acordo com a demanda de cada região e então desenvolver uma política de intervenção visando melhorar o imbróglio. Outrossim, a mídia, mediante notícias, deve exibir o problema em rádios, TV e internet. Logo, a população ficará informada do tema.