A alimentação na rede pública de ensino

Enviada em 04/12/2020

A tela “Os comedores de batata” de Van Gogh transcende a esfera da arte expressionista. Nela, uma família holandesa em um cenário escuro e sórdido come uma pequena porção de batatas, prato típico dos menos favorecidos por seu baixo custo. De forma análoga, fora da pintura, os alimentos são consumidos de acordo com a condição financeira do individuo, e no ambiente educacional não é diferente, muitos alunos vivem no limbo, os desafios da alimentação escolar no Brasil são reais, ora em fator da ausência de investimentos, ora devido a má administração no setor. Diante disso, é inadiável uma deliberação no quadro, a fim de se atenuar o revés.

Nesse sentido, a falta de recursos ofertados pelo Estado corrobora para a problemática. Thomas Hobbes em sua célebre obra “Leviatã” atribuiu à Esfera Governamental o dever de proteger e cuidar dos indivíduos. Ratificando-se tal pensamento, a realidade soa como algo divergente a essa teoria, uma vez que, jogando-se luz na alimentação escolar o cenário é precário, falta recursos para a compra de alimentos e sua efetiva distribuição nas escolas, acarretando-se alunos com menor rendimento nas atividades escolares devido à fome que muitas vezes não pode ser suprida em casa por falta de recursos. Na verdade, sem um olhar atento para o setor se distancia o progresso.

Outrossim, o desvio de verbas agrava a situação. De acordo com Milton Santos- geógrafo brasileiro- a globalização acentuou o hipercapitalismo, e está diretamente ligado à fome e à pobreza. Ratificando-se tal pensamento, uma de suas consequências é o individualismo, fator que ocorre na má administração escolar, o gestor só pensa em seu benefício próprio, deixando os alunos que necessitam dos recursos a mercê, pois as verbas além de serem escassas, são desviadas. Decerto, a fome perdura e perturba no ambiente escolar.

Repensar sobre os desafios da alimento escolar no Brasil é, portanto, um tema que não cabe mais protelação. Desse modo, é oportuno considerar dois agentes emergenciais: o Ministério da Educação e o Ministério Público. Ao primeiro, cabe redistribuir as verbas destinadas às escolas, incluindo no cardápio escolar uma alimentação saldável por intermédio de consultoria nutricional, com o fito de melhorar o lanche escolar. O segundo, por sua vez, deve fiscalizar onde foram parar os investimentos públicos, através de visitas surpresas nas instituições, a fim de mitigar o desvio de verbas. Assim, o cenário de Van Gogh se limitará à uma tela.