A alimentação na rede pública de ensino
Enviada em 14/01/2021
Em primeiro plano, é válido ressaltar os benefícios da alimentação no ambiente escolar. A cerca disso, é pertinente evidenciar o pensamento do educador e filósofo Paulo Freire, no livro “Pedagogia da Autonomia”, o qual defende que a escola deve preparar o indivíduo para viver em sociedade. Nesse âmbito, as instituições devem ensinar os valores nutricionais, os benefícios das refeições saudáveis e promover a interação entre os alunos e o processo de preparo dos alimentos - como a criação de hortas orgânicas e aulas de culinária aos estudantes com idade adequada. Por conseguinte, a educação freireana será desenvolvida, visto que serão instruídos a manter bons hábitos alimentares. Ademais, é importante salientar que essa prática é uma ferramenta fundamental para o combate à fome no Brasil. Isso porque, segundo pesquisas feitas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 15 pessoas morrem todos os dias em decorrência da fome.
Contudo, é lícito postular que a negligência do Poder Público é um obstáculo para a ampliação da alimentação nas redes de ensino. De acordo com o filósofo Immanuel Kant, para que uma ação seja moralmente ética, ela deve ser universal. Entretanto, notá-se a deturpação desse preceito, haja vista que algumas autoridades desviam o dinheiro público destinado à alimentação de crianças e adolescentes. Segundo dados divulgados pelo site “G1”, aproximadamente, 80% da verba destinada a compra de merendas foi desviada no Amapá. Logo, é preciso que esse cenário de roubo e impunidade seja revertido de forma urgente.
Torna-se evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas para que haja a mitigação da problemática. Para isso, o Ministério da Justiça, em conjunto com a Polícia Federal, deve criar um órgão fiscalizador que acompanhe o destino e o uso dos recursos da merenda escolar. Isso pode ser feito por meio da criação de um canal de denúncias, em que pais e diretores possam fazer queixas sobre a qualidade ou a falta de alimentos nas escolas públicas. Sendo assim, os investigadores poderão atuar de forma mais eficaz no combate ao desvio de verba e as crianças e adolescentes terão seu direito à alimentação assegurado.