A alimentação na rede pública de ensino

Enviada em 11/01/2021

Francis Bacon, em sua obra “Nova Atlântida” relata uma sociedade perfeita, a qual se molda de maneira lógica e harmônica. No entanto, a realidade moderna observada é oposta àquilo que prega o autor, visto que a alimentação na rede pública de ensino, apresenta entraves à concretização dos planos de Bacon. Tal cenário oposto é fruto tanto da ineficácia política, quanto de desigualdades econômicas. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim de uma melhor estruturação social.

Nesse sentido, faz-se relevante pontuar a atuação ineficiente dos setores governamentais. Segundo o preâmbulo da Constituição federal de 1988, o Estado é responsável pelo bem-estar popular, entretanto, isso não ocorre. Devido a negligência das autoridades no aperfeiçoamento do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), criado em 1954, a má alimentação ainda faz parte do corpo social brasileiro. Dado que, tal programa tem como objetivo  proporcionar uma boa porcentagem das necessidades diárias alimentares das crianças em idade pré-escolar e escolar. Desse modo, urge que tal postura estatal sofra reformulações.

Ademais, é imperativo ressaltar a desigualdade  como fomentadora do problema. Já que, o fato de o Brasil ser - segundo relatórios das Nações Unidas - o sétimo país mais desigual do mundo, solidifica o argumento de que a questão alimentar é na verdade uma questão econômica. Uma vez que a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar aponta para números expressivos (41,6%) de alunos do nono ano do ensino fundamental, os quais consomem guloseimas, mostrando um descompaço entre crianças de diferentes estratos sociais. Tudo isso retarda a ressolução do problema, uma vez que a desigualdade colabora nessa perpetuação deletéria.

Portanto, com o intuito de mitigar o impasse, necessita-se que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, será revertido para o Programa Nacional de Alimentação Escolar, através de uma ampliação.  Dessa forma, o Estado poderá aumentar o número de crianças beneficiadas, além de ter a opção de melhorar a qualidade da alimentação, por meio de acordo com produtores orgânicos locais. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o efeito nocivo da má alimentação na rede pública de ensino, e a coletividade dará um passo em direção a utopia Baconiana.