A alimentação na rede pública de ensino
Enviada em 13/01/2021
“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho.” O famoso trecho do poeta Carlos Drummond de Andrade trata-se de uma metáfora para desafios. Nessa lógica, é evidente que a precariedade da alimentação na rede pública de ensino é uma pedra no caminho do Brasil, uma vez que diversas crianças não têm acesso a uma alimentação escolar de qualidade. Desse modo, é fundamental indagar quais são as causas dessa situação.
A princípio, verifica-se que a negligência governamental com essa questão inviabiliza a sua resolução. De acordo com a Constituição Federal de 1988, é dever do Estado garantir à alimentação, igualdade e o bem-estar social. Contudo, atualmente, no que diz respeito a má alimentação escolar isso não ocorre, dado que, em 2017, estudantes de uma escola pública, em Campinas, foram liberados mais cedo devido à ausência de merenda para 565 estudantes, diz o site G1. Dessa forma, percebe-se que a omissão governamental estimula essa sitação, já que os setores estatais não proporcionam verbas alimentares suficientes para as escolas públicas, assim como, não promovem medidas de fiscalização para a utilização dessas verbas.
Além disso, percebe-se que o silenciamento é um fator que estimula esse cenário. Segundo Foucault, na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Nesse sentido, pode-se afirmar que há uma lacuna em torno dos debates sobre a quantidade e a qualidade dos alimentos direcionados para os colégios da rede pública no Brasil. Logo, nota-se que a falta de descussão sobre o assunto contribui para o lucramento de várias empresas com as verbas que deveriam ir para as escolas, diz o site O Globo, visto que a população não procura seus direitos. Assim, faz-se necessário debater sobre o tema, para que haja atuação sobre esse problema.
Portanto, medidas viáveis são necessárias para conter o avanço dessa problemática. Diante disso, o Poder Público deve direcionar capital que, por intermédio do Ministério da Saúde, será revertido na elaboração de verbas direcionadas para à compra de alimentos saudáveis e de boa qualidade, fiscalização da aplicação das verbas e campanhas publicitárias, através de uma reunião, a fim de proporcionar o acesso das crianças a um bom alimento escolar e instruí-los a buscarem seus direitos como estudantes da merenda no ambiente escolar. Nesse viés, poderar-se-á, em médio e longo prazo remover essa pedra do caminho do país.