A alimentação na rede pública de ensino

Enviada em 15/01/2021

De acordo com um relatório da Organização das Nações Unidas, cerca de 5 milhões de brasileiros apresentaram quadros de desnutrição em 2018. Nesse sentido, tal dado alarmante evidencia que em um país onde há muita insegurança alimentar, a merenda nas escolas é fundamental no combate à fome. Porém, apesar de ser a única refeição saudável para alguns estudantes, a alimentação nas escolas públicas brasileiras apresenta desafios nefastos, os quais se manifestam nos desvios de verba e na falta de acompanhamento nutricional.

Sob esse prisma, em 2019, a Polícia Federal identificou um cartel de empresas que desviou mais de um bilhão de reais das merendas escolares paulistas. Diante disso, a crueldade de criminosos como esses impede que os estudantes tenham uma alimentação escolar digna e necessária para combater a fome que assola o país. Por conseguinte, os discentes das escolas públicas, vítimas do desvio de verbas, têm seus rendimentos acadêmicos prejudicados, afinal, fatores como concentração e aprendizagem dependem da boa nutrição do organismo.

Outrossim, o documentário “Muito além do peso” mostra que uma das preocupações da sociedade brasileira contemporânea é o excessivo consumo infantil de alimentos industrializados. Analogamente, nas escolas, um dos grandes desafios é o oferecimento de refeições balanceadas, sem os ultraprocessados criticados no filme. Porém, tal dificuldade deve-se, principalmente, à incompetência estatal, visto que a contratação de nutricionistas é impossibilitada pelo descaso e pela corrupção supracitada.

Em suma, a fim de evitar desvios de verba, o Governo Federal deve aumentar a fiscalização sobre o que é comprado e servido nas escolas. Assim, isso deve ser feito por meio de relatórios semanais com os valores gastos, por exemplo, com alimentos, cozinheiros e armazenamento de refeições. Ademais, o Ministério da Educação deve enquadrar o cargo de nutricionista como fundamental e obrigatório nos colégios. Por fim, essas iniciativas serão importantes para melhorar a qualidade da merenda escolar e, então, contribuir para a redução das taxas de desnutrição e insegurança alimentar.