A alimentação na rede pública de ensino
Enviada em 15/01/2021
Segundo Platão, filósofo da antiguidade grega, a educação das crianças é a base da pólis perfeita. Dentro dessa idealização, torna-se necessária uma alimentação de qualidade para a efetivação do processo educacional, devido ao seu papel no desempenho escolar. Nesse quesito, a importância da merenda reflete a situação brasileira de déficit alimentar, em decorrência das desigualdades, e, ainda, é afetada pela ineficiência estatal em zelar pela integridade da população. Dessa maneira, fica clara a urgência de políticas que visem melhorar as condições alimentícias na rede pública de ensino.
Em uma primeira perspectiva, os problemas financeiros que atingem as comunidades dificultam uma boa alimentação aos jovens. Como solução, as refeições escolares exercem uma posição central na saúde dos estudantes, haja vista que a merenda é o principal alimento diário de grande parcela dos alunos, de acordo com o Ministério da Educação (MEC). Nesse contexto, uma alimentação escolar adequada vai além de um simples lanche, já que atua como um importante mecanismo de combate à insegurança alimentar e ao flagelo da pobreza, presentes no âmago da sociedade. Assim, as escolas públicas e as crianças em condição de vulnerabilidade social urgem por mais verbas e auxílios alimentares em prol de um pleno desenvolvimento estudantil.
Ademais, o enfrentamento à fome e às condições precárias de ensino esbarram na negligência governamental. Isso se confirma com os escândalos de desvio de verbas e casos de corrupção que acontecem, anualmente, dentro das esferas administrativas da União, como ocorrido na rede escolar de Santa Catarina, em 2019. Dessa maneira, apesar de o Estado dispor de prerrogativas jurídicas, como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que busquem aprimorar a condição alimentar nas escolas, fica evidente que a má gestão dos governantes atrapalha o processo de melhorias. Como resultado, inúmeros estudantes que dependem da merenda para a sobrevivência são afetados pela irresponsabilidade e ganância dos representantes populares.
Diante do exposto, fica nítida a necessidade de medidas para reverter a situação precária da alimentação na rede pública de ensino. Para tanto, o MEC deverá fornecer mais verbas às instituições escolares, de modo a proporcionar refeições melhores aos alunos, que serão elaboradas em decorrência de um aumento de 15% no atual investimento estatal. Em adição, será preciso mais fiscalização em prol do fim das situações de corrução. Como consequência direta, milhares de crianças que vivem em condições precárias receberão uma maior segurança alimentar, além de desenvolverem melhor desempenho estudantil, fato necessário para que a condição comunitária preconizada por Platão seja atingida.