A alimentação na rede pública de ensino

Enviada em 17/01/2021

A escola além de ser a responsável pela primeira fase da socialização de um indivíduo, também assegura aos seus alunos alguns dos direitos presentes no Estatuto da Criança e do Adolescente(ECA), como o acesso efetivo à alimentação. Esta se dá por meio da merenda escolar que deve ser garantida através do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), porém o Brasil ainda enfrenta desafios quando o assunto é alimentação escolar regular e de qualidade.

Em primeiro lugar, é essencial que o alimento chegue nas escolas durante todo o ano letivo, o que muitas vezes não acontece. Infelizmente, é comum que a Polícia Federal descubra grandes esquemas de desvio de verba da merenda escolar em diversas cidades brasileiras. Além de divergir dos projetos desenvolvidos pelo PNAE, a carência desses alimentos na rede pública de ensino faz crescer a desigualdade social e a fome em todo país, pois muitas famílias contam que suas crianças recebam alimentação na escola, uma vez que não há comida suficiente em casa.

Outrossim, da mesma forma que é necessário a oferta diária de alimentos, se faz importante também a qualidade da alimentação concedida às crianças e adolescentes, uma vez que a nutrição deve ser a prioridade da merenda nas escolas públicas. Quando esse alimentos chegam nas escolas, há uma triste realidade comum a todos os estados brasileiros, muitas comidas são industrializadas. Com o pretexto que a alimentação orgânica gera altos gastos ao governo federal e que refeições mais frescas demandam mais tempo de preparo, os estudantes recebem produtos de baixa qualidade ou um cardápio com pouca variedade nutricional.

Torna-se evidente, pois, a urgência em solucionar os problemas na alimentação escolar brasileira, a fim de entregar diariamente uma comida saudável e de qualidade a todos os estudantes do ensino público. Isso pode ser obtido por meio de uma fiscalização mais rígida dos gastos municipais com a compra dos produtos alimentícios, para que haja a devida identificação e medidas punitivas aos indivíduos participantes do desvio de verba. Ademais, o Estado deve adquirir um cardápio baseado em produtos orgânicos, diminuindo a quantidade de industrializados e investindo na capacitação profissional de merendeiras.