A alimentação na rede pública de ensino
Enviada em 26/01/2021
No seriado mexicano “Chaves”, o protagonista ao frequentar as aulas do professor “Girafales” não consegue obter sucesso no seu percurso escolar em relação aos demais de sua turma, devido sua condição social precária, pois, em muitos episódios, o jovem frequentemente relata dificuldades em concentrar-se nas aulas devido a fome que sente. Tendo em vista esses apectos, infelizmente, a narrativa abordada na ficção não difere a realidade enfrentada por muitos estudantes brasileiros da rede pública de ensino, uma vez que são muitos os desafios em relação á alimentação escolar. Entre eles, a inércia governamental e a má qualidade desses mantimentos.
Primeiramente, é fundamental ressaltar a inércia estatal como um dos promotores do problema. Sob esse viés, o Programa Nacional de Alimentação Escolar promovido pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, possuí o dever de oferecer alimentação escolar e ações de educação alimentar e nutricional a estudantes da educação básica pública por meio do repasse de verbas do Governo Federal. Contudo, apesar desse programa existir há décadas e ainda ser uma referência mundial nesse âmbito, é sábido que o programa não atinge todos os estudantes de forma igualitária, visto que, algumas escolas públicas sofrem com problemas com fornecedores, atraso na entrega de produtos, a escassez de alimentos, ou até mesmo, ausência de comida. Urge, portanto, a reformulação dessa postura estatal.
Além disso, outro ponto relevante nessa temática é a má qualidade dos alimentos fornecidos. De acordo com um levantamento feito pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) 60% dos estudantes da rede pública estão insatisfeitos com a merenda escolar, nesse sentido, cabe pontuar os fatores que colaboram para esse impasse, é válido o pontuar o caso de algumas escolas que não possuem a infraestrutura necessária para armazenarem ou produzirem de forma correta os alimentos, faltam fogões, geladeiras ou dispensas adequadas para o funcionamento. Assim, devido á falta de recursos adequados, as escolas acabam recorrendo aos alimentos industrializados e oferecendo aos estudantes alimentos de baixo valor nutricional como bolachas e sucos processados, por exemplo.
Infere-se, portanto, que são necessárias medidas para mitigar os problemas da alimentação escolar no Brasil. O Tribunal de Contas da União, deve direcionar capital que, por intermédio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, será revertido para promoção de melhorias do Programa Nacional de Alimentação Escolar, atráves da ação “Alimentação segura e de qualidade” será criado um projeto de fiscalização e controle, a fim de garantir a melhor qualidade dos alimentos fornecidos as escolas. Espera-se com isso, garantir que menos “Chaves” encontrem dificuldades na sala de aula.