A alimentação na rede pública de ensino
Enviada em 10/11/2021
Na obra “Pedagogia da autonomia” , o educador Paulo Freire defende a educação como forma de libertação do indivíduo. Ao analisar o pensamento do autor, infere-se a importância desse aspecto na construção de um país. Entretanto , ao comparar a assertiva do pedagogo com a realidade brasileira, surge um empecilho, haja vista os desafios da alimentação escolar pública. Nesse sentido, o problema ocorre em virtude das falhas governamentais e da invisibilidade do assunto nos meios de comunicação.
Primordialmente, ressalta - se o a ineficiência do governo em efetivar os programas nutricionais já existentes nas instituições de ensino. Nessa perspectiva, embora a criação do PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) seja uma medida criada para ofertar a merenda dos alunos, existem lacunas no que se refere à garantia desse direito. Assim, a má distribuição das verbas, bem como a falta de profissionais responsáveis não só pela gestão, mas também pela preparação dos cardápios baseados nas exigências nutritivas demonstra o descaso do poder público. Logo, enquanto a máquina administrativa continuar omissa , será inviável reverter esse cenário de desamparo do estudantil .
Ademais, o silenciamento da problemática constitui outra barreira na resolução do infortúnio.Sob esse viés, segundo o filósofo Michel Foucault, diversos temas são silenciados na sociedade a fim da manutenção das estruturas de poder. Ao seguir essa linha de raciocínio, a escassa veiculação nas mídias televisivas que denunciem o dilema contribui com pouca notoriedade ,visto que os próprios afetados deixam de perceber a dimensão do dilema e os responsáveis tendem a ficar acomodados em solucionar o revés.Posto isso, urgem campanhas expositivas que denunciem o imbróglio.
Portanto , fica explícito a necessidade de combater essa condição de desamparo, assim como fazer jus ao pensamento do Paulo Freire. Para tanto, cabe ao Governo - entidade máxima do país - fiscalizar o desempenho do PNAE ,por meio da exigência de relatórios aos gestores das escolas , no intuito de minimizar as carências atuais. Além disso , esse mesmo órgão - na figura do Ministério das Comunicações - deve veicular conteúdos expostivos ,por intermédio de reportagens nos principais canais televisivos , com o objetivo de instruir a população afetada a conhecer os direitos e pressionar os encarregados de efetivar os princípios assegurados na lei.