A alimentação na rede pública de ensino

Enviada em 05/10/2021

De acordo com Émile Durkheim, importante sociólogodo século XIX, a sociedade funciona como um organismo em homeostase, de modo que, para manter o equilíbrio, o bem-estar dos cidadãos precisa ser assegurado. Porém, hoje, no Brasil, a não garantia da alimentação escolar rompe com essa harmônia, haja vista que compromete o desenvolvimento no ensino e degrada os estudantes por falta de uma nutrição completa. Nesse viés, é necessário ir a origem, bem como entender o contexto da má nutrição nas escolas, a fim de propor medidas que, de fato, resolvam o problema.

De início, é útil citar que o Estado não vem cumprindo seu papel de suprir as demandas do ensino. Isso acontece, porque, ao aprofundar no contexto das escolas, percebe-se que não está sendo efetivada as diretrizes básicas do Programa Nacional de Alimentação Escolar, o qual estipula condutas mínimas que as escolas devem seguir, pois o que é levado até os alunos é insulficiente ou inexistente nutricionalmente. Dessa forma, ao não nutrir os alunos acarreta em baixo desempenho escolar, bem como degrada-os fisicamente, dado que as cargas horárias são, comumente, altas, 5 horas em média. Desse modo, esse panorama ruim, que quebra a homeostase de Durkheim, é nefasto e deve ser mudado em prol do bem-estar humano.

Ademais, a desigualdade existente no Brasil impulsiona a má alimentação escolar. Nesse sentido, é válido retomar o antropólogo Darcy Ribeiro, o qual desenvolve que a disparidade existente no país é fruto de um projeto desumano, isto é, ao decorrer de séculos, quem detém poder político e econômico, modificou o território nacional a partir de seus interesses pessoais em detrimento da população. Diante disso, as escolas, em locais marginalizados, sofreram esse processo perveso, por conta disso, há deficiências alimentares no ensino público. Essa conjutura histórica ruim deve ser quebrada, para que o PNAE seja totalmente implementado.

Verifica-se, portanto, a necessidade de uma alimentação plena na rede escolar. Logo, cabe ao Governo Federal, na esfera do Ministério da Educação, reivindicar que o PNAE seja seguido por completo. Essa ação será por meio da melhor gestão do dinheiro destinado à nutrição, com foco em áreas vulneráveis economicamente. Outrossim, aumento da verba para as escolas, para contrato de um nutricionista que estipulará um cardápio diversificado e direcionado àquela instituição. Dessa maneira, com essas medidas, os estudantes terão uma alimentação de qualidade e a harmônia proposta por Durkheim assegurada.