A alimentação na rede pública de ensino

Enviada em 06/10/2021

“Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria”. A afirmação do personagem Brás Cubas, idealizado por Machado de Assis, pode servir de símbolo para o comportamento indiferente da população diante de temas como a alimentação na rede pública de ensino, já que é justamente a reação social falha que faz com que essa situação se torne um fardo, e não algo positivo. Nesse sentido, torna-se claro como a ineficiência governamental é a origem desse problema. Assim, não só a infraestrutura alimentar precária nas escolas, como também a violação dos direitos humanos por parte do Governo atuam agravando o quadro geral.

Convém ressaltar, a princípio, que a negligência do Governo em garantir uma alimentação de qualidade nas instituições de ensino solidifica essa problemática. Na novela “Carrossel”, televisionada pela Globo, é representada a personagem Carmen, que não tem condições para levar alimentos para o colégio e acaba passando fome. Fora da ficção, a obra representa diversas escolas que não garantem comida aos seus alunos. Tal fato acontece, pois, há uma precariedade na infraestrutura dessas escolas, que não têm dinheiro para garantir a nutrição dos indivíduos. Logo, é imprescindível que essa situação seja revertida, para que nenhum aluno passe fome ao ir estudar.

Ademais, observa-se como a desobediência dos direitos humanitários gera problemas na alimentação em escolas públicas. De acordo com o filósofo John Locke, o Estado deve garantir os direitos a população, e um desses é a segurança alimentar. Entretanto, observando o atual cenário brasileiro, é notório que o Governo não garante isso, já que os ambientes escolares do país não apresentam alimentos nutritivos para todos os alunos. Isso ocorre porque não há destinações de verbas necessárias para manterem essas escolas.

Destarte, medidas são necessárias para resolver os problemas discutidos. Para que a alimentação na rede pública de ensino se torne democratizada, urge que o Ministério da Economia destine verbas para o Ministério da Educação, o qual irá distribui-las para instituições escolares que não tenham condições de garantir alimentos aos alunos, com a finalidade de assegurar a segurança alimentar nas escolas. Isso poderá ser feito por meio de uma pesquisa para saber as necessidades de cada local de ensino, e então fazendo a distribuição de uma porção da verba para esse lugar. Outrossim, cabe às Secretarias Municipais de Saúde contratarem nutricionistas para atuarem nos colégios e esses profissionais prescreverem receitas nutritivas a serem feitas para os alunos. Dessa forma, será possível que esse tema se torne um legado positivo para as próximas gerações.