A alimentação na rede pública de ensino

Enviada em 25/10/2021

Pobreza. Miséria. Fome. Três palavras que refletem bem a situação brasileira no quesito da segurança alimentar. Nesse viés, foi estimado, pelo Datafolha, que uma em cada três famílias com crianças no país possuíam dificuldades financeiras para comer. A partir disso, fica exposta a importância da escola para garantir uma nutrição adequada para esses infantes que, infelizmente, tem sua ação limitada pela corrupção e pela falta de políticas eficazes.

Diante desse cenário, pode-se afirmar que atos ilegais do governo impedem que uma alimentação de qualidade seja entregue em escolas públicas. Tal limitação pode ser evidenciada pela condenação do ex-governador do estado do Rio de Janeiro, Sergio Cabral que, entre dezenas de crimes, cometeu o contra a merenda escolar, ao desviar verbas e receber suborno em troca de privilégios para empresas, como afirmado pela mídia nacional. Dessa forma, mostra-se porque é inviável oferecer uma comida digna nas escolas, pois, ao ofertar uma vida de luxo para criminosos mascarados de políticos, a renda entregue para alimentação torna-se insuficiente para nutrir as necessidades dos estudantes. Com isso, enquanto permanecer no poder pessoas interessadas no benefício próprio, escassa será a quantidade de crianças com uma dieta balanceada.

Além do problema da corrupção, outro fator que prejudica a entrega de uma boa merenda são as políticas públicas envolvidas nos setores do governo. Essa situação é mostrada de forma recorrente pela mídia que, em 2017, evidenciou o episódio da Farinata, ou ração humana, como foi apelidado, em que o então prefeito de São Paulo, João Dória, quis distribuir nas escolas uma mistura de alimentos próximos ao vencimento de maneira desidratada. A ação feita pelo governante levantou inúmeras discussões entre nutricionistas, que chegaram a afirmar que o mandatário havia ferido os direitos humanos, uma vez que essa não é uma alimentação digna para um ser humano, pois, é necessário também um sabor agradável na comida. Assim, é possível afirmar que para que a merenda entregue nas escolas seja de qualidade, os políticos devem colocar-se no lugar das crianças que as consomem.

Portanto, é evidente que a merenda escolar precisa melhorar sua qualidade. Para isso ocorrer, o Ministério Público, executando a função de defesa dos interesses da sociedade, deve investigar suspeitas de corrupção na alimentação das escolas, de modo a realizar auditorias recorrentes nas contas referentes às comidas dos municípios e de prender, de forma rápida, governantes que fazem práticas ilegais, tudo isso a fim de possibilitar que as crianças tenham uma boa alimentação nas instituições de ensino.  Só com essas medidas, os políticos deixarão de serem corruptos e os infantes carentes poderão ter a possibilidade de terem uma nutrição adequada.