A alimentação na rede pública de ensino

Enviada em 14/11/2021

‘‘De repente veio a fraqueza. Devia ser a fome.’’ Epígrafe grafada do livro ‘‘Vidas Secas’’,Graciliano Ramos, escritor modernista, narra a miséria e a fome vivenciada hodiernamente por Fabiano e sua família. Sem desconsiderar o caráter romantista dessa obra, é nítido que a insegurança alimentar é socialmente degradante e, enquanto a pobreza foi a causa de tanta barbárie na ficção, a carência e a negligência social têm sido um gatilho para o enfraquecimento da sociedade brasileira. A partir desse contexto, é válido discutir o motivo dessa insegurança e o maior impacto disso para o corpo social.

Nesse sentido, é indubitável salientar que a insegurança alimentar na rede pública advém do escasso interesse político. Isso acontece, porque, segundo o ilustre geógrafo Josué de Castro, ‘‘o que falta é vontade política para mobilizar recursos a favor dos que têm fome’’, logo se percebe que a questão da insegurança alimentar nas instituições de ensino - característica de uma economia emergente - são sustentados pela persistência do Estado em negligenciar o corpo social que demanda de crédito - em decorrência do sistema capitalista - para conseguir se alimentar. Evidentemente, sob essa linha de raciocínio, à medida que a postura política de priorizar interesses pessoais se enraíza, as dificuldades de conduzir a sociedade, sobretudo o Brasil no mapa da fome, são acentuadas. Dessa forma, por causa de políticas governamentais, a miséria no corpo social atual, consequentemente, cresce de forma exponencial.

Com efeito, é fundamental entender que o aumento da insegurança alimentar nas instituições de ensino deriva da pandemia ocorrida no ano de 2020. Isso acontece, porque o cenário de caos de uma pandemia expõe as fragilidades do capitalismo - sistema econômico vigente -, que não possui justiça social em sua ideologia, as quais, como já afirmado pelo sociólogo Boaventura de Sousa, ‘‘ou a gente muda, ou a gente se extingue, é isso que um vírus nos ensina’’, conceito esse proposto em seu livro ‘‘A Cruel Pedagogia do Vírus’’. Dessa forma, por mais que medidas profiláticas - quarentena e auxílio emergencial - sejam determinadas por parte do Estado, a classe baixa é sempre a mais afetada. Exemplo disso são os dados divulgados pelo jornal G1, em 2020, os quais revelam, não por acaso, que  cerca de 19 milhões de pessoas passaram fome.

Portanto, é evidente que a questão da fome no Brasil fomenta um quadro de anomia social. Assim é fundamental que o Poder Executivo, mais especificamente o Ministério da Cidadania, fomente centros de apoio em todo o país. Tal iniciativa ocorrerá por meio da implantação de um Projeto de Combate à Fome, o qual coordenará um programa social de distribuição de cestas básicas para as famílias mais pobres. Isso será feito a fim de proporcionar a erradicação da insegurança alimentar nas escolas.