A alimentação na rede pública de ensino
Enviada em 18/11/2021
Ao se averiguar o contexto social hodierno, depreende-se que, embora tenha sido intitulado como “país do futuro”, pelo filósofo austríaco Stefan Zweig, o Brasil tem seu desenvolvimento obstado pela fragilidade dos projetos de oferta de alimentação escolar em seu território. Funestamente, essa situação decorre, em grande parte, de duas consideráveis problemáticas: a negligência governamental e o descaso da população civil.
Em primeira instância, é fulcral considerar que, ainda que se trate de uma garantia assegurada pela Constituição Federal de 1988, o acesso equitativo dos alunos brasileiros à alimentação escolar figura somente no plano teórico, conforme disserta o escrito Gilberto Dimenstein, em seu livro “Cidadão de Papel”. Isso ocorre porque, em razão da displicência estatal e do desvio de verbas governamentais destinadas à merenda escolar, parte do que a carta magna prevê não é efetivada. Mediante essa perspectiva, torna-se notória a premência da atuação dos órgãos do governo federal na superação daquilo que o geógrafo Milton Santos chamou de “Cidadania Mutilada”, ou seja, sem efetivação de leis.
Outrossim, cabe analisar que a cegueira cultural, ética e moral exposta pelo escritor português José Saramago, em sua obra “Ensaio sobre a cegueira”, acomete a sociedade brasileira contemporânea, haja vista a perversidade do ser humano e a consequente alienação dos indivíduos frente ao problema da carência nutricional de muitos jovens e adolescentes. Dessa forma, diante da passividade de grande parte da população residente no Brasil, a fome, descrita por Carolina Maria de Jesus como sendo a “escravatura atual”, além de comprometer o desenvolvimento escolar dos alunos pode vir a acarretar graves problemas de saúde. À vista disso, evidencia-se que esse nefasto cenário se apresenta como um grande desafio a ser superado pela nação verde-amarela.
Diante do exposto, urge, portanto, ao Ministério da Educação – órgão incumbido de administrar o setor estudantil do país –, por meio de verbas governamentais, a criação de um projeto que vise a fiscalizar a quantidade de alimento recebida por cada instituição escolar e a sua forma de estocagem, a fim de garantir que as escolas públicas estejam aptas a fornecer uma merenda de qualidade aos seus alunos. Feito isso, será possível melhorar as condições de nutrição dos estudantes brasileiros e, assim, criar meios propícios para que a teoria de Zweig se torne realidade.