A alimentação na rede pública de ensino

Enviada em 18/03/2022

Segundo o sociólogo Émile Durkheim, existem fatos sociais normais e patológicos, sendo que estes últimos causam danos à comunidade. Nesse sentido, a insuficiente alimentação na rede pública de ensino é um fato social patológico. Sob esse viés, essa grave problemática não acontece somente devido à omissão estatal, mas, também, devido à negligência da mídia.

Nesse panorama, o descaso do poder público é um imperioso promotor da inadeaquada alimentação na rede pública de ensino. Sob essa ótica, de acordo com o contratualista Thomas Hobbes, os indivíduos aceitam sair de seu estado de natureza para viverem em melhores condições, assinando o Contrato social. Nesse prisma, o desleixo do Estado é uma indubitável quebra da vontade geral, porque não destina os devidos montantes para trivialidades, como a urgente alimentação à crianças de baixa renda e, assim, deixa, como legado, um aprofundamento da desigualdade social. Sob essa perspectiva, o poder público é danoso nessa situação, pois desvia a doutrina hobberiana do cotidiano.

Ademais, a desatenção dos meios de comunicação é uma notória incentivadora da falta de alimentação em muitas redes públicas de ensino. Diante disso, conforme a filósofa Simone de Beauvoir, os principais problemas são aqueles que são naturalizados. Nessa conjuntura, o exíguo foco da imprensa à alimentação na rede pública é uma banalização de um empecilho perigoso, porquanto não usa do seu contato com o povo para expor as mazelas que assolam o país e, dessa forma, colaborar com a mitigação da adversidade, como a questão de alimentos. Sob esse ponto de vista, a mídia é criminosa nesse caso, já que não cumpre a sua função social, prevista na Carta Magna, de colaborar com o tecido social.

Portanto, para que haja uma melhora nas condições de alimentação para as escolas públicas, os congressistas devem, com o apoio da opinião pública, deliberar leis de robusta destinação de recursos para comprar alimentos, por meio da sanção do presidente, a fim de que o país se torne melhor e, conseguintemente, próspero. Somado a isso, com o fito de haver uma aplicabilidade das ideias de Beauvoir, a imprensa deve, em parceria com a iniciativa privada, criar campanhas de conscientização sobre a situação de alimentos na rede pública.