A ameaça do ChatGPT ao mercado de trabalho brasileiro

Enviada em 14/10/2024

Na obra, “O Espírito das Leis”, Montesquieu enfatiza que é preciso analisar as relações sociais existentes em um povo para, assim, aplicar as diretrizes legais e favorecer o progresso coletivo. No entanto, verifica-se que a teoria do filósofo diverge da realidade atual, haja vista que a ameaça do ChatGPT ao mercado de trabalho brasileiro é um problema existente. Com efeito, é importante enunciar os aspectos sociopolíticos e socioculturais como essenciais pilares da chaga.

Diante disso, é necessário apontar a negligência governamental como causadora da mazela. Nesse sentido, o filósofo Thomas Hobbes, em seu livro “Leviatã”, defende a responsabilidade do Estado — representado por um monstro marinho — em proporcionar meios que visem a harmonia social, mediante ações coletivas entre as autoridades. Todavia, nota-se a falta de medidas adotadas pelos governantes, como a contratação de profissionais especializados em inteligências artificiais que auxiliem, por exemplo, profissionais de marketing, ajudando esses trabalhadores a impulsionarem seus trabalhos tirando o máximo proveito do ChatGPT, para que suas atividades laborais não fiquem ameaçadas.

Ademais, é preciso considerar o fator grupal. Conforme o filósofo Jurgen Habermas, a razão comunicativa — ou seja, o diálogo — constitui um etapa fundamental no desenvolvimento social. Nesse ínterim, o diminuto estímulo ao debate — em setores midiáticos, escolares e familiares — a respeito de medidas para que o ChatGPT não substitua o ofício dos trabalhadores digitais, coíbe o poder transformador da ação e, consequentemente, ocasiona a formação de indivíduos sem pensamento crítico e empatia. Esses, por esse motivo, fomentam o impasse, uma vez que, pela falta de exploração dessa temática, acabam negligenciando e não dando a devida importância aos possíveis empregos que podem ser perdidos por conta desse tipo de inteligência artificial.

Dessa forma, cabe ao Estado — instituição soberana e garantidora de direitos fundamentais — realizar palestras que ressaltem a importância da investigação dessa celeuma, por meio do amplo apoio dos poderes estaduais e municipais, com o intuito de atenuar a ameaça dessa tecnologia ao mercado de trabalho e promover consciência aos indivíduos, além de amenizar a morosidade estatal.