A ameaça do ChatGPT ao mercado de trabalho brasileiro
Enviada em 01/11/2024
Após período de abolição da escravatura, houve uma intensa marginalização dos ex-escravos, deixados à deriva e sem suporte. Igualmente, na realidade atual, a eclosão das inteligências artificiais (IAs) tem ameaçado o mercado de trabalho, onde a banalização estatal e a carência estrutural destacam-se como alicerces à mazela.
Sobretudo, é imperioso observar que a negligência governamental potencializa a permanência da problemática. Segundo Zygmunt Bauman, o termo “Constituição Zumbi” descreve a situação na qual o poder público abdica de seus deveres. Nessa conjuntura, com a inserção das IAs no mundo do trabalho, o risco de desemprego é eminente, visto que essa nova tecnologia tem a capacidade de interpretar dados e fazer tarefas que antes seriam de uma pessoa. Logo, é útil que o Estado assegure a empregabilidade dos brasileiros, objetivando adequar e preparar a população diante das novas ferramentas e reduzir o impacto social.
Ademais, a carência estrutural é um fator central do desemprego no país, pois dificulta a inclusão de novos profissionais, o que pode se intensificar com a substituição da mão de obra humana pelas inteligências artificiais. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 41,3% dos trabalhadores brasileiros são informais. Diante disso, fica evidente a exclusão social vivenciada pelos profissionais com baixa qualificação, visto que a seleção de currículos será mais criteriosa e baseada no conhecimento técnico, aumentando assim a concorrência no mercado de trabalho. Evidentemente, é necessário a mudança desse cenário decadente, o profissional do futuro terá que aperfeiçoar seus conhecimentos, assim como saber manejar as novas tecnologias.
Portanto, considerando as informações supracitadas, é urgente a adoção de medidas que solucionem esse impasse. Nesse sentido, cabe ao Ministério do Trabalho e Emprego, órgão encarregado pelo suporte às condições trabalhistas, promover políticas públicas redistributivas, através de programas que assegurem o emprego dos brasileiros além de capacitar os trabalhadores com programas de ensino técnico e digital, a fim de mitigar o impacto das inteligências artificiais no mercado de trabalho, qualificar os cidadãos e ratificar o bem-estar social.