A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 27/10/2023
A reurbanização do Rio de Janeiro, no século XX, foi um processo que visava a higienização da cidade e a adaptação de sua arquitetura e, por isso, demoliu cortiços e expulsou os habitantes deles da área central. Apesar do hiato temporal, a organização das cidades brasileiras ainda é baseada na exclusão dos menos favorecidos, a exemplo disso, vê-se a forte presença da arquitetura hostil no país, que busca expulsar populações indesejadas pela sociedade. Nesse sentido, a questão encontra motivação na seletividade na atuação governo e no preconceito.
Diante desse cenário, constata-se que a ação dos agentes governamentais permite a exclusão de determinados grupos. Conforme Achille Mbembe, a “Necropolítica” contribui para determinadas “mortes sociais”, posto que priva sujeitos do convívio social. Nesse viés, a tese apresentada pelo filósofo é confirmada na realidade brasileira, uma vez que os governantes determinam que medidas hostis sejam realizadas nos centros urbanos para afastar pessoas, como as que se encontram em situação de rua. Por conseguinte, o Estado - que deveria garantir o bem-estar de toda a população - promove a separação de indivíduos por meio da arquitetura hostil e causa a exclusão deles do convívio coletivo.
Outrossim, estigmas relacionados às pessoas em situação de rua também contribui para a temática. Desse modo, o conceito de “Aporofobia”, cunhado pela pensadora Adela Cortina, diz respeito à aversão aos pobres. Nesse contexto, a expulsão de sujeitos de determinadas áreas da cidade é fomentada por esse tipo de preconceito, visto que a sociedade apoia essas medidas para eliminar presenças indesejada por ela, como as pessoas sem abrigo. Dessarte, a estigmatização dessa população por parte do corpo social, propicia que ela seja vítima da arquitetura hostil e, consequentemente, apagada socialmente.
Portanto, o uso da arquitetura como forma de exclusão é um problema e urge combatê-lo. Para isso, cabe ao governo federal garantir o bem-estar da população em situação de rua, por meio da construção de abrigos, a fim de diminuir a segregação social, além de assegurar o acesso dela ao espaço coletivo. Tal ação deve, ainda, contar com palestras educativas em escolas, para disseminar o preconceito na realidade brasileira. Somente assim, o problema será amenizado.