A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social

Enviada em 27/10/2023

Segundo o filósofo John Locke: “É de todos os cidadãos o direito à vida, à liberdade e à propriedade”. Contudo, na sociedade contemporânea, a realidade se distancia do ideal à medida que evidencia o crescimento de moradores de rua sujeitos à arquitetura hostil como ferramenta para a exclusão social. Sob esse viés, o desemprego configura um problema vítima do descaso governamental. Desse modo, é imprescindível a intervenção sociogovernamental, com o intuito de superar os obstáculos mencionados.

Em primeiro plano, vale destacar que o fator desemprego atua como barreira na redução da arquitetura hostil. De acordo com a socióloga Jane Addams: “ De todos os aspectos da miséria social, nada é tão doloroso quanto o desemprego”. Nessa perspectiva, os cidadãos que não trabalham, por consequência, encontram-se imersos na pobreza e são obrigados pela circunstância a viver nas ruas em busca de lugares para descanso ou abrigo, como: viadutos, calçadas, bancos de praça e diversos outros. Com isso, são criadas estruturas arquitetônicas hostis - a fim de expulsa-los dos locais - e assim, fomentar a exclusão dos sem-tetos.

Nesse contexto, a negligência governamental acerca da reversão do problema supracitado, impede de reverter esse cenário. Dessa forma, no período colonial após a abolição da escravidão, não houve um plano de integração dos indivíduos. À luz disso, na contemporaneidade, perpetua o descaso do Estado com os grupos minoritários como, os desempregados. Assim, as autoridades visam investir na arquitetura hostil ao invés de buscarem inserir os vulneráveis na sociedade.

Diante do exposto, faz-se necessário propostas governamentais que mitiguem a temática. Para isso é fulcral que o Ministério dos Direitos Humanos - em conjunto com o Poder Legislativo - reduza construções inspiradas na arquitetura hostil, por meio da criação de leis mais rígidas e fiscalizações periódicas, com o fito de reprimir as tentativas de excluir socialmente os cidadãos moradores de rua. Dessa maneira, o Estado - em sua função de promotor do bem-estar social - deve fornecer apoio aos desempregados, através de programas de auxílio capazes de promover a integração no mercado de trabalho. Logo, o conceito de direito inalienáveis expresso por John Locke, poderá ser gradativamente alcançado.