A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social

Enviada em 02/11/2023

No século XX, Pereira Passos iniciou seu plano de obras no Rio de Janeiro, para dar o status a cidade de Paris dos trópicos. Nesse sentido, os costiços e cassebres foram demolidos para darem lugar a largas avenidas. Desse modo, o conjunto arquitetônico da época foi forjado para marginalizar a população mais pobre. No entanto, apesar da passagem dos tempos, na atual realidade brasileira, vivenciamos a implementação da arquitetura hostil e a falta de medidas governamentais para combater tal. Diante disso, faz-se impreciosa a análise dos fatores que favorecem este quadro.

Em primeiro plano, a desigualdade social interfere diretamente na aplicação proposital desse conflito arquitetônico, forjado pelo Governo atual. No entanto, percebe-se a condição degradante de inúmeros brasileiros, de modo a inferiorizar e desumanizar os sujeitos sem teto. Logo, é inadmissível que este cenário continue a perdurar

Ademais, é notório a negação do direito de ir e vir nas cidades que figura um impasse relevante na problematica. Segundo o Filósofo Thomas Hobbes é dever do Estado garantir o bem-estar de todos. Entretanto, a ações controversas do Estado, pois, em vez de haver medidas de proteção e segurança dessa população, os esforços governamentais, são erroneamente, usados para tornar a experiência daqueles que já são marginalizados ainda mais degradantes. Dessa forma, é necessária reformulação estatal urgentemente.

Por fim, diante dos desafios supramencionados, é necessária ação conjunta do Estado com a sociedade para mistiga-los. Nesse âmbito, cabe ao Governo Federal em parceria com o Ministério das Cidades, responsável pelas disparidades sociais, em conjunto com organizações privadas, destine a ocupação de imóveis vazios ou subsidiados a população em condição de rua. A fim, de que o pensamento de Thomas Hobbes seja possível e vivenciado.