A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 27/10/2023
O renomado filósofo Tomas More, em sua obra “Utopia”, versa sobre uma sociedade ideal e perfeita livre de problemas sociais. Nessa perspectiva, o Brasil se encontra em uma distopia, que é o oposto do cenário ideal, como escreveu More. Logo, isto ocorre pois a arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social tem criado chagas no país, devido a fatores como: a falta de moradia que leva as pessoas a recorrerem às ruas e a negligência governamental.
Diante do exposto, na Constituição Federal, promulgada em 1988, mais especificamente no artigo 6º, visa garantir a todos cidadãos seus direitos sociais como acesso à uma moradia. Entretanto, o número de moradores de rua têm crescido no Brasil, uma vez que essas pessoas são expulsas de casa e precisam recorrer a um meio rápido para se abrigar, pois não possuem mais moradia — ao contrário do que promete a Constituição — e lugares para ir. Contudo, com o crescimento da arquitetura hostil — construções para afastar, principalmente, desabrigados — a exclusão dessas pessoas na sociedade cresce constantemente.
Ademais, a negligência governamental contribui para os problemas mencionados anteriormente. O conceito de “Banalidade do Mal”, criado pela teórica alemã Hannah Arendt, defende que quando uma atitude agressiva ocorre frequentemente, a sociedade passa a ver como normal. Assim, é possível observar esta banalidade no dia a dia em pontos de ônibus e embaixo de viadutos, aonde são colocados empecilhos de concreto para que moradores de rua não possam deitar e dormir. Além disso, o governo não tem tomado medidas cabíveis para esse viés social que tem acontecido e contribui para essa exclusão da minoria.
Portanto, o Estado Brasileiro, na condição de garantir os direitos sociais dos cidadãos, deve aderir providências catalisadoras, a fim de solucionar a ausência de moradia de parte da população brasileira e a negligência governamental em cima dessa chaga. Para isso, o Ministério de Direitos Humanos e Cidadania deve investir nos desabrigados e seus direitos, por meio de projetos sociais e criação de mais abrigos que forneçam a inclusão dessas pessoas na sociedade, para que assim ponha um fim na tortura que é a arquitetura hostil para moradores de rua. se