A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 30/10/2023
Estratificação social é um conceito da sociologia que envolve a classificação elitista dos diferentes estratos socioeconômicos entre os indivíduos. No Brasil, a distância cada vez maior entre uma classe e outra reflete nos mais diversos mecanismos de exclusão social, sendo a arquitetura hostil um dos mais pertinentes. Dessa forma, a gentrificação das áreas urbanas, bem como a conivência do Estado fomentam este panorama de segregação.
Convém ressaltar que, a princípio, a sobrevalorização dos espaços urbanos tece com veemência a marginalização de classes sociais menos favorecidas. Isto posto, em 1902 o episódio conhecido como " bota abaixo " foi um marco na segregação socioespacial fundamentado na estética elitista, sendo responsável por transtornar a vida de muitos. Diante disso, a instrumentalização da arquitetura para deixar populações à margem dos recursos urbanos é uma estratégia eugenista, em que os indivíduos indesejáveis não devem ser vistos como um ser sociável. Portanto, fazer uso da estética urbana como mecanismo de segregação incentiva a inaceitável repulsa por classes sociais menos favorecidas.
Outrossim, muitas vezes inerte, o Estado é conivente com a exclusão socioespacial dos estratos mais baixos da sociedade. Ademais, à luz de pensamentos iluministas, o filósofo Jean Jacques Rousseau atribuiu a desigualdade entre os homens ao surgimento da propriedade privada, uma vez que a necessidade de se sobrepor e superar seu semelhante fundamentam a posse de terras. Diante disso, a falha inadmissível do Estado em exercer seu papel de mediador das relações sociais aguça a hostilidade entre pessoas cujas classes econômicas são diferentes. Logo, a força mediadora é intimamente necessária para superar o estado primitivo proporcionado pela desigual luta pela posse de terras.
Destarte, a arquitetura hostil como forma de segregação entre os indivíduos tece a necessidade urgente de intervir. Para tanto, o Ministério Público, representante dos interesses coletivos na esfera jurídica, deve impor medidas que garantem a construção de moradias populares nos centros urbanos a fim de mitigar a fatal gentrificação. Assim, tamanho avanço só será possível por meio da alocação de verbas em programas como o “minha casa minha vida”, vitais para a socialização.