A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social

Enviada em 03/11/2023

Sob visão de Aristóteles - filósofo grego - a política deve lutar pelo bem-estar coletivo, desvinculada de qualquer individulismo. Contudo, o cenário brasileiro perante as políticas de tratamento à arquitetura Pública tornam-se, infelizmente, casa vez mais embaladas pela hostilidade e egoísmo. Desse modo, destacam-se, o preconceito e a negligência governamental como fatores de exclusão que defasam o princípio aristotélico.

Nesse âmbito, convém enfatizar a visão deturpada da sociedade como propagador da questão. Nesse viés, Michel Foucault discorre que a consciência coletiva, formada nos diferentes grupos sociais forma o preconceito. De fato, o preconceito adentrou, fortemente, a consciência arquitetônica das cidades ao longo do país, exemplo disso é o bloqueio de bancos públicos e a inserção de pedregulhos em locais de uso comum dos moradores de rua, ou seja, impedindo o acesso não por necessidade de conservação, mas por uma segregação omissa dessa parcela popular constantemente vulnerabilizada e esquecida. Assim, o preconceito será inserido, naturalmente, como “avanço urbano”.

Outrossim, é necessário pontuar o descaso do Poder Público quanto à questão. Sob essa óptica, o filósofo Jonh Locke apresenta que é dever do Estado prover as necessidades básicas do cidadão. No entanto, o contratualista encontraria sua essencial colocação sendo desvinculada da realidade brasileira, dado que a falta de moradia é um demonstrativo da incompetência do próprio Estado em prover tais necessidades, por conseguinte, submetendo o cidadão às ruas como sinônimo de moradia, agora, sendo retirado desse mínimo conforto devido a nova arquitetura excludente. Em suma, medidas devem ser tomada ao revés.

Portanto, é necessário mitigar o contexto hostil vivenciado. Cabe ao Governo Federal em conjunto com o Ministério da Educação - Órgão propagador de conhecimento - implementar uma reformulação na estrutura de ensino, por meio da inserção de matérias com foco nos preconceitos sociais, suas profundidades e prejuízos para a sociedade, a fim de descontruir o preconceito vigente. Ademais, o cidadão deve ser valorizado, retirando-o das ruas, através de programas habitacionais. Descarte, a política será efetivamente coletiva.