A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social

Enviada em 28/10/2023

A arquitetura de um ambiente desempenha um papel fundamental na formação da sociedade e na inclusão de diferentes grupos. Entretanto, hodiernamente, a presença da arquitetura hostil tem se revelado como um mecanismo de exclusão social preocupante, o que remonta à ineficiência do Estado em assegurar espaços acessíveis e acolhedores a todos os cidadãos. É necessário, portanto, analisar essa problemática sob duas perspectivas interligadas: a negligência do poder público e o impacto na vida da população.

Em primeiro lugar, a negligência do Poder Público é evidenciada pela falta de infraestruturas adequadas em muitas cidades. Como apontado por Oswald de Andrade em seu poema “Erro de Português,” a cultura e a identidade de um povo são intrinsecamente ligadas à forma como o ambiente é moldado. No entanto, a ausência de espaços públicos acessíveis, o planejamento urbano deficiente e a falta de preocupação com a mobilidade de pessoas com deficiência ou idosos resultam em uma arquitetura hostil que marginaliza parte da população. Essa negligência estatal perpetua a exclusão social e mina os direitos fundamentais de igualdade e acessibilidade.

Além disso, a arquitetura hostil tem um impacto profundo na vida das pessoas. Como Cecília Meireles menciona em “Crônicas da Educação,” a educação é fundamental para a orientação individual e para o desenvolvimento do senso crítico. No entanto, a falta de espaços inclusivos e acolhedores prejudica a interação social e a sensação de pertencimento. A segregação de certos grupos, como pessoas com deficiência, idosos e mesmo aqueles em situação de rua, é um reflexo direto da hostilidade da arquitetura urbana. A sociedade não compreende a importância de espaços acolhedores e, como resultado, a exclusão social persiste.

Portanto, é imperativo que o Estado assuma a responsabilidade de promover uma arquitetura mais inclusiva e acolhedora. Isso pode ser alcançado por meio da implementação de políticas públicas que priorizem a acessibilidade em espaços públicos, bem como por regulamentações que incentivem a inclusão na construção civil. Além disso, a educação desempenha um papel fundamental na sensibilização da sociedade para a importância de espaços acolhedores e acessíveis.