A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social

Enviada em 28/10/2023

Segundo o filósofo Aldous Huxley, os fatos não deixam de existir ao serem ignorados. Analogamente, tal problemática faz-se presente na sociedade brasileira, no que tange a presença da arquitetura hostil em centros urbanos, uma vez que é utilizada como mecanismo de exclusão social e pouco se discute sobre a segrega-ção e discriminação causadas. Nessa perspectiva, destacam-se dois aspectos importantes: a ineficiência governamental e a falta de engajamento social.

Diante desse cenário, nota-se que a ineficiência governamental é causa do óbice. Diante disso, conforme o filósofo Bauman, as instituições zumbis não cumprem o seu papel fundamental. Nesse sentindo, o governo se exime da responsabilidade social que possui, de garantir o bem-estar a todos os cidadãos, já que autoriza construções hostis em ambientes públicos, porém deveria concentrar-se no plane-jamento de medidas e leis que amparassem, em especial, pessoas em situação de rua, progredindo para a formação de uma sociedade mais igualitária e humana. Sendo que esse impasse pode ser agravado, faz-se mister uma maior atuação do Estado.

Ademais, vale ressaltar que a falta de engajamento social também contribui para o problema. Na obra ‘‘Ensaio sobre a cegueira’’, do escrito José Saramago, é retra-tada a invisibilização de questões pela sociedade. Nesse contexto, observa-se que o corpo social não debate sobre a existência da arquitetura hostil, muito menos sobre os impactos causados na comunidade, ou seja, negligenciam a situação pre-cária e violenta que vivem aqueles excluídos do ambiente social e perpetuam a marginalização de grupos que não possuem acesso a direitos básicos, como, por exemplo, moradia. Por fim, é necessário que a população evidencie os problemas sociais, para que com visibilidade sejam solucionados.

Portanto, são imprescindíveis medidas que amenizem a utilização da arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social. Para isso, cabe ao Governo Federal - órgão responsável por zelar pelo povo -, cumprir o seu papel e agir consoante a Constituição de 1988, por meio da garantia de direitos civis a todos, a fim de dimi-nuir o número de indivíduos em situação de rua que são afetados pela arquitetura hostil. Assim, como afirma Huxley, o fato ignorado será solucionado.