A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social

Enviada em 28/10/2023

No livro “Cidadão de Papel’’, do jornalista Gilberto Dimenstein, a denúncia da ineficácia de diversos mecanismos legais é feita, evidenciando uma cidadania aparente- metáfora utilizada pelo autor. Nesse sentido, pode-se relacionar tal premissa ao que ocorre no Brasil, por exemplo, a questão da arquitetura hostil como forma de exclusão social. Isso ocorre devido ao ritmo de vida acelerado das pessoas e à omissão governamental.

Efetivamente, conforme descrito pela jornalista Eliane Brum, no seu texto ‘‘Exaustos, correndo e dopados’’, a sociedade encontra-se em um momento no qual precisa produzir o tempo todo:‘‘24 horas por dia/7 dias por semana’’. Por conta disso, verifica-se que, por estar nesse frenético ritmo, a população não é capaz de perceber os reais problemas do mundo, o que favorece a adoção de uma postura passiva e apática. Dessa forma, essa indiferença dos indivíduos corrobora a presença de arquitetura hostil como pedras pontiagudas, uma vez que não questionam as entidades responsáveis por tais ações. Por conseguinte, o silêncio da população em relação a tal problema permite que ações excludentes continuem na sociedade.

Ademais, a omissão governamental contribui para que arquitetura hostil seja presente no país. Sob essa ótica, a música da banda Legião Urbana ‘‘Nas favelas, no Senado/Sujeira para todo lado/Ninguém repeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação’’ retrata essa omissão na garantia que todos os brasileiros possam ter acesso aos espaços públicos. Isso acontece, pois as entidades, numa visão elitista e excludente, criam barreiras de acessos aos locais, como a presença de espetos afiados, a fim de que pessoas em situação de rua não possam ficar presente. Dessa maneira, infrigem a Constituição do país que afirma que todos brasileiros tenham acessos aos espaços públicos.

Portanto, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania deve fiscalizar as ruas do país, por meio do aumento de verbas destinadas a esse ministério, para que toda a população possa ter acesso aos locais comunitários. Nessa fiscalização, agentes localizarão arquiteturas hostis e será ordenado a sua retirada. Assim, não haverá mais na sociedade esse tipo de exclusão social.