A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social

Enviada em 28/10/2023

O personagem da literatura brasileira, Policarpo Quaresma, é um patriota, nacionalista, que idealiza uma nação perfeita, sem falhas. No entanto, é indiscutível que no contexto nacional hodierno, a realidade se distância do seu ideal, visto que há a arquitetura hostil como um mecanismo de exclusão social. Sob esse viés, tem-se tanto a omissão estatal, tanto o individualismo como fatores instigantes à problemática. Logo, urge a necessidade de reinserção dos assim marginalizados.

Mormente, é fulcral pontuar a ineficácia governamental como impulsionadora ao cenário vigente. Pois, consoante a ideia do filósofo iluminista, John Locke, enquadra-se a situação como quebra do “contrato social”, visto que, o Estado não confirma o direito à moradia que consta na carta magma, assim colocam os vulneráveis a se submeterem a morarem em locais públicos, nos quais continuam a serem oprimidos. Com isso, evidencia-se a necessidade de reformular a tal postura da máquina pública, porque o quadro, também contraria o pensamento pregado por Aristóteles de que a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, sem qualquer distinção.

Outrossim, com base nesse cenário, observa-se o quanto os problemas com a exclusão devido as construções hostis advém do histórico de individualismo. Dado que “O homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe”. Essa máxima, dita pelo filósofo iluminista Rousseau, representa uma característica atemporal, comportamental da sociedade moderna,na medida em que, ao observar, nota-se uma corrupção moral do indivíduo, o qual prioriza o sucesso próprio e adota uma visão indiferente, de normalidade à óbice.

Portanto, é imprescindível realizar intervenções para amenizar a prática das construções hostis. Para tanto, cabe ao Governo Federal-cuja função é garantir do bem social- juntamente com o Ministério da infraestrutura direcionar verbas, arrecadadas através do imposto pago pela nação, para construção de abrigos coletivos, no intuito de fomentar a interação coletiva e a inclusão dos grupos marginalizados, cabe também a precisão de destruir as antigas construções opressoras. Somente assim, tornar-se-á real a tão sonhada nação perfeita de Policarpo.