A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 28/10/2023
Segundo o filósofo John Locke, é de todos os cidadãos o direito à vida, à liberdade e à propriedade. Contudo, na sociedade contemporânea, a realidade se distancia do ideal à medida que evidencia o crescimento de moradores de rua sujeitos à arquitetura hostil, como ferramenta para a exclusão social. Sob esse viés, o desemprego e a falta de consciência social favorecem o seguimento da problemática. Desse modo, é imprescindível a intervenção sociogovernamental, com o intuito de superar os obstáculos mencionados.
Em primeiro plano, vale destacar que o fator desemprego atua como barreira na redução da arquitetura hostil. De acordo com a socióloga Jane Addams, “De todos os aspectos da miséria social, nada é tão doloroso quanto o desemprego”. Nessa perspectiva, os cidadãos que não trabalham, encontram-se imersos na pobreza e são obrigados pela circunstância a viver nas ruas em busca de lugares para descanso ou abrigo, como: viadutos, calçadas e bancos de praça. Com isso, são criadas estruturas arquitetônicas inóspitas, a fim de expulsar os sem tetos dos locais, e assim, fomentar a exclusão social.
Nesse contexto, a descaso da sociedade com a prática ilegal impede de reverter esse cenário. Consoante à teoria da “banalidade do mal” criada pela filósofa Hanna Arendt, a falta de reflexão crítica acerca dos problemas, gera a falta de compromisso. À luz disso, os cidadãos normalizam a arquitetura hostil como meio de segurança - sem refletir os impactos caudados nos desempregados oprimidos em situação de rua -. Assim, é imperiosa a mudança da postura social a respeito do problema em tela.
Diante do exposto, faz-se necessárias propostas governamentais que mitiguem a temática. Para isso é fulcral que o Estado - em sua função de promotor do bem-estar social - fornecer apoio aos desempregados, por meio de programas de auxílio capazes de promover a integração do indivíduo no mercado de trabalho. Ademais, cabe à mídia, influenciar na conscientização dos cidadãos, por intermédio de propagandas, reportagens e campanhas, com o fito de estimular a reflexão dos desdobramentos nocivos caudados pela a arquitetura hostil, como a exclusão social. Logo, ao aplicar tais medidas, será possível a resolução da problemática.