A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social

Enviada em 28/10/2023

O Drama biográfico “À Procura da Felicidade”, narra a história de Chris, que, junto ao seu filho de apenas 5 anos, vive em condições subalternas na rua, após ser des-pejado do seu apartamento alugado. Nessa senda, nota-se que a obra se faz veros-símil com a realidade do Brasil hodierno, país onde a desigualdade social é extre-mamente marcante. Assim, oobstáculo com caráter segregatório de classes sociais promove ainda mais e exclusão das pessoas em situação de rua com a aruqitetura hostil.

A fala “Somos todos iguais, mas uns são mais iguais que outros” de George Orwell, ilustra a desigualdade social indo em contrapartida ao artgo 5 da constituição de 1988, que prevê igualdade a todo cidadão perante a lei. Dessa forma, o falso mora-lismo defendido por pessoas influentes é uma falácia hipócrita uma vez que estes não se manifestam sobre casos de extrema pobreza e não fornecem uma qualida-de de vida justa aos seus funcionários domésticos, por exemplo. Além disso, a falta de empatia com o próximo demonstrada pela camada social favorecida pelo ideal meritocrata - falsa ideia de alcance do poder através do merecimento - é mais um fator que agrava esta problemática.

Ademais, a arquitetura hostil projetada em algumas cidades do país possui único e exclusivamente o objetivo de excluir as pessoas em situação de rua. Dentre as di-versas maneiras de construção que excluem estes indivíduos socialmente, é possí-vel destacar os pinos instalados embaixo dos viadutos e as divisões no assento dos bancos de praças, impedindo que o morador de rua possa deitar nestes lugares. Esse modelo arquitetônico colabora para que cada vez mais a segregação de clas-ses sociais aumente, dificultando a homogeneidade social e econômica no país.

Em suma, é imprescindível que o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC) - órgão responsável pela articulação interministerial e intersetorial das po-líticas de promoção e proteção dos Direitos Humanos no Brasil - intervenha nessa questão por meio de obras públicas que não possuam traços da arquitetura hostil e incentivando a criação de abrigos para que pessoas em situação de rua passem a ter locais confortáveis para passar a noite. Assim, espera-se que o cenário deplorá-vel que se instaurou no país seja atenuado