A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social
Enviada em 29/10/2023
Desde seu período colonial, o Brasil, nas palavras de Darcy Ribeiro, se configurou como uma “máquina de moer gente”. Sob essa ótica, cabe a análise de um fenômeno recente: a arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social. É importante apontar, diante disso, que tal problemática se dá tanto ao paradigma adotado pelo governo quanto à indiferença dos cidadãos.
Nesse contexto, o Estado brasileiro tem uma postura histórica de tratar as desigualdades sociais por métodos paliativos e insustentáveis. Sem embargo, assim como ocorreu com as políticas sanitaristas no cenário da Revolta da Vacina do século XX, os moradores de rua são julgados como obstáculo a uma boa arquitetura urbana. Decerto, os esforços públicos se voltam em combater a própria vítima, realizando construções que impedem o conforto e, frequentemente, a segurança das mesmas. Logo, caso não haja uma mudança na atuação das forças estatais, a arquitetura hostil continuará existindo para prejudicar os mais pobres da população.
Outrossim, a conjectura social brasileira se moldou em relativizar a fome, as desigualdades e a injustiça. Com efeito, segundo o político teórico Frantz Fanon, os resquícios de um mundo colonizado é uma separação entre a saciedade – acumula-dora e opressiva – e a fome – pobre e explorada. Desse modo, tudo que não faz parte da sociedade padrão é desumanizado, gerando indiferença à situação do oprimido, na qual se encaixam os sem tetos, apesar dos crescentes esforços para reverter a situação, como a Pastoral do Povo de Rua – atuando na ajuda material e presencial. Destarte, deve haver a conscientização nacional sobre o tema.
Portanto, medidas devem ser tomadas para solucionar os problemas supracitados. Assim, um ator viável nessa mudança é o governo federal – dotado de ferramentas de alcance nacional – na formulação de uma reforma urbana. Para isso, por meio de uma proposta de emenda constitucional, tornaria prédios abandonados ou frutos de especulação imobiliária de regiões residências em dormitórios públicos, a partir do prévio ressarcimento ao proprietário (caso seja privado), além da consciencização da população ao redor da instalação. Dessa forma, o Brasil lutará por um futuro melhor.