A arquitetura hostil como mecanismo de exclusão social

Enviada em 31/10/2023

A gentrificação é um processo de transformação de áreas urbanas que leva ao encarecimento do custo de vida e aprofunda a segregação socioespacial nas cida- des. De maneira análoga a isso, a arquitetura hostil exemplifica esse tipo de segre-gação mencionada, uma vez que ela exclui as classes mais baixas a terem acesso aos seus monumentos. Nesse sentido, depreende-se que esse tipo de prática ar-quitetônica relaciona-se ao absentismo do governo, bem como à displicência de al-gumas pessoas que constituem as classes socioeconômicas mais influentes.

A princípio, a adesão das cidades a esses tipos de arquitetura, que exclui, em sua maioria, as pessoas de baixa renda, faz com que essas áreas restrinjam o seu aces- so a eles, o que denota a responsabilização, majoritariamente, do Estado. Em vista disso, o filósofo Confúcio disse que a cultura está acima da diferença da condição social. Dessa forma, esse cenário vigente destoa do verdadeiro significado da de-mocratização da cultura, a qual significa o acesso de todas as classes aos patrimô-

nios públicos.

Outrossim, algumas pessoas de maior hierarquia social também contribuem na permanência desse tipo de construção cultural como uma forma de limitar os mais pobres dessas arquiteturas públicas. Partindo desse pressuposto, o pensamento do sociólogo Karl Marx, o qual defendia que as ideias da classe dominante eram as que predominavam, pode explicar esse impasse atual. Com efeito, a categoria so-cial mais influente é aquela com mais recursos disponíveis, o que as concedem ma-ior poder na política e consequentemente, na interferência nas edificações públicas das cidades, como nas decisões em câmaras municipais.

Portanto, nota-se a que o absenteísmo do Estado, tal como a indiferença por par-

te da população faz com que a arquitetura hostil seja um meio de exclusão de algu-

mas classes sociais. Dessa maneira, é dever do Poder Executivo das cidades, que possuem esse tipo de arquitetura hostil, remover as partes estruturais dos monu-

mentos que excluem os mais pobres, a fim de combater essa segregação social. A-

demais, é importante que o poder midiático, como a televisão, exponha em suas propagandas a exclusão gerada por esse problema, o que evitará a gentrificação.